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domingo, 10 de março de 2013

Fechamento da Escola CNEC-Oliva Enciso será tema de audiência pública na Câmara nesta segunda


O fechamento da Escola CNEC Oliva Enciso em dezembro de 2012 será tema de audiência pública, nessa segunda-feira  (11.03), às 9h00, no plenarinho da Câmara, convocada pelo vereador Eduardo Romero (PTdoB), em parceria com o deputado estadual Pedro Kemp.
O fechamento abrupto  das atividades e a respectiva venda do  prédio para o Sesc, sem nenhum aviso prévio aos pais, alunos, professores e técnicos  por parte da direção da Companhia Nacional das Escolas da Comunidade (CNEC),  deixou mais de 90 alunos já matriculados em situação de abalo emocional . Além disso casou danos morais e  prejuízo ao processo de formação continuada de mais 200 estudantes, entre eles diversos bolsistas que ficaram sem condições de continuar os estudos. No Estado, a escola também era referência na área de Educação Infantil, desenvolvendo o método sócio- construtivista.
Após o fechamento os país se mobilizaram em duas reuniões. Encaminharam denúncia ao Ministério Público Estadual e ao Ministério Público do Trabalho. Ambos investigam a situação, mas consideraram que a forma de fechamento determinado pelo CNEC Nacional causou prejuízos a comunidade, negligenciou o Estatuto do Consumidor e desrespeitou á legislação trabalhista, sendo 50 funcionários demitidos sem nenhuma negociação prévia com o sindicato da categoria.
Pelo fato da área ser doação e se encontrar em área comercial na Av. Afonso Pena, esquina com a rua 25 de Dezembro, a Comissão representativa dos País e Amigos da Escola Oliva Enciso, estuda a possibilidade de pedir a revogação da doação por parte da Prefeitura de Campo Grande. Além do Terreno, um sobrado de dois andares foi construídos com doação da Fundação Banco do Brasil e o bloco mais antigo com recursos da Prefeitura de Campo Grande e do Governo do Estado. A proposta será avaliada amanhã na Audiência Pública.  Outra alternativa encaminhada pela Comissão de País e Amigos era o tombamento do ´prédio como patrimônio histórico, alternativa descartada pela Secretaria de Cultura de Campo Grande pelo prédio não preencher os  requisitos necessários.
A intenção da Comissão, caso seja revertida a comercialização, é retomar as atividades da Escola Oliva Enciso no próximo ano, numa de forma de gestão cooperativada.  
Mais informações Mauro Sandres - Presidente da Comissão de Pais e Amigos da Escola Oliva Enciso (67) 9142-9268 ou Gerson Jara 9651-8284 ou 9227-6426 

sexta-feira, 8 de março de 2013

Trabalhadores de frigorífico Peri de Terenos paralisam contra bancos de hora e por reajuste

A Federação dos Trabalhadores  nas Indústrias de Alimentação e Afins de MS, em parceria com o Sindicato das Indústrias de Alimentação de Campo Grande e Região, estão promovendo uma paralisação desde a madruga desta sexta-feira, no Frigorífico Peri, em Terenos. 
A unidade conta com cerca de 300 trabalhadores. De acordo com o sindicalista Claudeci Rodrigues Leal – vice presidente da FTI-MS,  a deflagração do movimento paredista é em razão da direção da empresa se negar a negociar com o Sindicato por ainda não representar legalmente a base sindical de Terenos, mas explica que a inclusão do município já foi requerida junto ao Ministério do Trabalho e esta e fase de regularização. “A federação tem base poder legal de representar os trabalhadores, por isso estamos à frente da mobilização”, comenta.  
Em pauta aprovada em Assembléia a categoria reivindica o fim do banco de horas, descontados indevidamente dos trabalhadores e piso salarial de ingresso de R$ 1.450,00.
Contato
Wilson/Claudeci – 67 9190 4049 – 9217-6508
Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins do MS
Rua Boaventura Silva, 120
Campo Grande - CEP 79090151
Tel.: (67) 3331-5011
Sindicato dos Trabalhadores Indústria Alimentação Campo Grande 
Endereço
Rua José Pereira, 520
Cidade: Campo Grande / MS
CEP: 79.106-532

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Pais do CNEC-Oliva Enciso fundam associação para manter escola na capital


Pais do CNEC-Oliva Enciso fundam associação para manter escola funcionando na capital

Diante do fechamento da Escola CNEC-Oliva Enciso, pais, ex-alunos e fundadores da instituição se reuniram, discutiram o problema e resolveram criar uma associação para garantir a manutenção da escola de ensino fundamental e médio em Campo Grande. A decisão aconteceu nesta última quinta-feira (10.01), no auditório do Sebrae, em reunião que contou com a presença do deputado federal Edson Girotto (PMDB)  , do deputado estadual Pedro Kemp (PT), do empresário Beto Pereira  e do promotor da Infância e Adolescência Sérgio Harfouch, entre outros cidadãos e autoridades.
A agregação foi batizada como Associação de Pais e Amigos da Escola Oliva Enciso, e o grupo tem como principal propósito discutir essa decisão, assim como lutar para reverter o processo arbitrário, reivindicando a manutenção e o funcionamento da escola em Campo Grande.
Em reunião, o grupo considerou o fechamento da escola abusivo e desrespeitoso para com os pais, os alunos e mais de 50 funcionários, que ficaram desempregados, além do conjunto da comunidade campograndense, que contava com história educacional construída pela instituição na cidade. A decisão da direção nacional da CNEC de venda do prédio para a Federação do Comércio de Mato Grosso do Sul, por R$ 11 milhões, e de encerramento repentino das atividades, sem qualquer aviso prévio, deixou cerca de 250 alunos, bem como seus pais, desamparados e desorientados. A determinação foi mantida mesmo já contando com 90 pré-matrículas confirmadas até o dia 20 de dezembro para o ano de 2013. 
Os pais relataram que a decisão causou danos emocionais e afetivos entre as crianças e os adolescentes, alunos da CNEC, que tinham na escola um ambiente de convívio fraterno. Além disso, a escola era considerada uma das melhores referências educacionais no Estado de Mato Grosso do Sul, classificada entre as 10 melhores escolas particulares na avaliação do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) a partir da adoção do método sócio-interacional e construtivista e a incorporação de metodologia diferenciada para alunos especiais
Em conversa por telefone com o deputado federal Edson Girotto e a viva voz para os presentes, o presidente nacional da CNEC, Alexandre José dos Santos, garantiu a intenção de manter a escola em funcionamento em Campo Grande,
Em reunião ocorrida nesta manhã, a diretoria eleita decidiu oficializar a situação da transação comercial e dos danos provocados aos pais e alunos para o Ministério Público Estadual e ao Conselho Estadual de Educação, em razão do encerramento abrupto das atividades educacionais no 2013 .
A intenção principal é garantir a reabertura das atividades do CNEC Oliva Enciso em Campo Grande, mesmo com a aquisição e a construção do novo prédio. Outra tarefa é de se reunir com a direção nacional para que faça uma exposição dos motivos da venda do prédio, mesmo considerando que área foi fruto de doação da Prefeitura de Campo Grande e no novo bloco construído com a doação da Fundação Banco do Brasil. 
A direção da Associação de Pais e Amigos da Escola Oliva Enciso não descarta a hipótese de entrar com pedido de reversão de doação da área e do tombamento histórico do prédio. Na próxima quinta-feira, no auditório do Sebrae, haverá nova reunião na qual serão apresentados os desdobramentos da denúncia junto aos órgãos competentes e a ampliação do quadro de associados que desejam manter a atividade da CNEC Oliva Enciso na capital. 
Os presentes fizeram uma breve exposição sobre o histórico do grupo escolar em Campo Grande. Da fundação em salas improvisadas no fundo da Estadual Joaquim Murtinho até à doação da área do atual prédio na Av. Afonso Pena esquina com a Rua 25 de Dezembro, onde funcionava a antiga Escola Barão do Rio Branco, mantida pela Companhia Nacional das Escolas da Comunidade (CNEC), nascida com o desígnio de ter uma proposta pedagógica diferenciada, de formar cidadãos conscientes e capazes de atuarem na transformação da sociedade. Nela funcionavam o ensino fundamental e o ensino médio profissionalizante. Com o passar dos anos a Escola mudou de nome, homenageando uma das suas fundadoras, Oliva Enciso, primeira vereadora de Campo Grande e deputada estadual eleita pelo então estado Mato Grosso. Após reestruturação se especializou no ensino infantil e a partir de 2007 voltou a implantar o ensino médio. 
A CNEC também mantinha uma escola em funcionamento na cidade de Rio Verde, fechada no ano retrasado (2011) também de forma abrupta, como ocorreria neste ano em Campo Grande. Vale ressaltar que escola vinha funcionando de forma lucrativa e cumprindo com o caráter filantrópico concedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social. 

Gerson Jara - Assessoria de imprensa voluntária. 

Mais informações (67) 9651-8284 (vivo)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Mestre Tereré reúne mais de 80 crianças rememorando a arte de Luiz Gonzaga


Vem aí… Mestre tereré na Bahia, Axé Brasil

O contador de causos Mestre Tereré do Pantanal, em sua viagem pelo nordeste, chega à Bahia e se depara com a grande homenagem feita ao centenário do sanfoneiro Luiz Gonzaga. Pontuado com muita musica, dança e interpretação os 120 alunos da Casa de Ensaio apresentam o espetáculo de encerramento do ano “Mestre tereré na Bahia, Axé Brasil”. A estreia acontece no dia 12 de dezembro no teatro Prosa – SESC Horto às 14h e 20h e segue em curta temporada nos dias 15 e 16 na sede da Casa de Ensaio às 18h e 20h.
O espetáculo é um investimento do edital FOMTEATRO 2012. A peça é uma criação coletiva dos professores da instituição, divididos pelos seguimentos. São eles: teatro: Carol Doria, Juliana Gurgel e Eduardo Ribeiro. Dança: Agenor Dias e Thiago Mendes. Música: Bernadete Pavão e Ricardo Maisatto. A supervisão geral é da diretora da Casa de Ensaio, Lais Doria.
Serviço:
“Mestre tereré na Bahia, Axé Brasil”
12.12 – Teatro Prosa Sesc Horto – 14h e 20h
15.12 – Casa de Ensaio –  18h e 20h
16.12 – Casa de Ensaio –  18h e 20h
Censura Livre, entrada gratuita.
(Senhas uma hora antes de cada sessão).

28novProtocolo Outubro 2012

Amigos confiram o nosso vídeo protocolo do que aconteceu na Casa em Outubro de 2012.
Em Dezembro divulgaremos o de Novembro, aguardem!

2ª Festival Brincaturas e Teatrices - Vale à apena participar


9dez2º Festival Brincaturas e Teatrices

De 12 14 de Dezembro, a Casa de Ensaio apresenta o 2º  festival Brincaturas e Teatrices para pensar, mostrar e discutir arte com educação no Brasil. Quem faz , quem pensa, quem cuida. Teatro, Carpet Show, Leitura dramatizada, Rodas de conversas, Oficina, Cinema, Dança, Música, Performance, Exposição, Sarau e muito mais. Público: professores, artistas, profissionais liberais, acadêmicos, crianças, adolescentes e interessados afins.
Serão 3 dias inteiros para conhecer, ver, refletir, sentir as diversas possiblidades na arte com educação para crianças e adolescentes. No dia 12/12 o palco do Teatro Prosa – SESC Horto  das 14h às 20h recebe diversas intervenções artísticas de diferentes grupos, organizações e convidados. 
Já no dia 13/12 acontece na Casa de Ensaio as "Rodas de Conversas" onde participarão especialistas no assunto conversando sobre dois eixos temáticos:  pela manhã "Quem olha e porque olhar a criança de hoje" e a tarde "A criança que fomos, a criança que é hoje" e às 19h alunas do curso Brincaturas e Teatrices participam da leitura dramatizada da peça "Confissões de adolescentes" de Maria Mariana.  
E para encerrar o festival no dia 14/12 das 9h às 11h acontece a oficina "Arte teatral em Medellín" com Danny Pérez e às 20h sarau com Zé Geral. Maiores detalhes e informações sobre programação do festival podem ser conferidos no linkhttp://migre.me/c5vu5

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

PP dá cartão vermelho a Lidio, que pode ficar sem mandato

A edição do Jornal Correio do Estado desta quarta-feira publicou edital da Executiva Regional do Partido Progressista comunicando a expulsão do vereador e suplente a deputado estadual, Lídio Lopes.
Com a cassação, pela atual legislação eleitoral, o parlamentar perde a cadeira da Câmara de Vereadores e ainda fica impedido de assumir a vaga de deputado estadual, em substituição ao deputado estadual Paulo Duarte (PT), eleito prefeito de Corumbá. 
Entre os os motivos de expulsão do vereador Lídio estão a infidelidade partidária, desde a última eleição para Governador, quando apoiou o atual André Puccinelli, enquanto do PP somou forças com Zeca do PT. Considerado Andrezista, a sua situação ficou mais estremecida com a direção majoritária do PP quando deixou de apoiar a candidatura do deputado Alcides Bernal, presidente regional da legenda e assumiu a candidatura do deputado federal Edson Giroto (PMDB)    
O movimentação abre possibilidade para que o atual diretor regional da Funasa, e ex-deputado estadual, Pedro Teruel, assuma a vaga com terceiro suplente, reforçando a bancada do PT em 2013. 
Teruel já demostrou interesse em retornar para Assembléia Legislativa e nos próximos dias vai solicitar formalmente a cadeira junto ao presidente do legislativo, Jerson Domingos.
Lídio foi notificado pela direção municipal do PP e de acordo com o estatuto do PP deveria apresentar sua defesa, o que não aconteceu em tempo hábil.  

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Morte de cacique Guarani Nizio Gomes planejada a Sangue Frio


Ataque que matou cacique Nizio Gomes no MS teve planejamento minucioso, segundo MPF

Denúncia do Ministério Público Federal contra 19 pessoas revela os detalhes da ação criminosa, encomendada por fazendeiros e executada por empresa de segurança.

A reportagem é de Verena Glass e publicada pela Agência Repórter Brasil, 01-12-2012.

O assassinato do cacique guarani kaiowá Nizio Gomes em 18 de novembro de 2011, no acampamento da retomada do Tekoha Guaiviry, localizado nos municípios de Aral Moreira (MS) e Ponta Porã (MS), no Cone Sul do Estado, foi um crime que chocou o país e teve grande repercussão nacional e internacional. Agora, dez dias antes do aniversário de um ano do assassinato de Nizio, o processo contra os 19 acusados de planejar e executar o crime deixou de correr em segredo de justiça.

Públicas desde o dia 8 de novembro, as investigações e a conseqüente denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contam uma história digna de romance policial, com relatos de suborno, acenos ligados à disputa do poder político (promessa de apoio à eleição de um amigo da vítima ao cargo de vereador), planejamento minucioso do crime na calada da noite, delação da amante do dono da empresa envolvida no assassinato, entre outros.

Documentos públicos fundamentados em depoimentos e investigações revelam que a trama que levou à morte de Nizio começou pouco após a retomada de um pequeno trecho da Fazenda Nova Aurora pelos kaiowá de Guaiviry, em 1° de novembro de 2011. Vizinhos da área, os réus Idelfino Maganha (dono das Fazendas Querência, Cachoeirinha e Figueira), Claudio Adelino Gali (dono das Fazendas Sonho Mágico e Arueira) e Samuel Peloi (dono da Fazenda Dois Irmãos), além do presidente do sindicato rural e Secretário Municipal de Obras de Aral Moreira (MS), Osvin Mittanck, e dos advogados Levi Palma Dieter Michael Seyboth (este último, genro do fazendeiro Maganha) começaram a discutir formas para retirar os indígenas da área. Foram aventadas três possibilidades: convencer o grupo a sair mediante o oferecimento de dinheiro; pedir reintegração de posse na Justiça; ou contratar uma empresa de segurança privada armada para promover a expulsão violenta.

Primeiro de tudo, porém, havia a necessidade de sondar o acampamento. Para isso, Osvin apresentou ao grupo o indígena Dilo, conhecido do cacique Nizio Gomes. A missão atribuída a Dilo foi a de levantar o número de acampados em Guaiviry e verificar se o Nizio sairia em troca de pagamento. Dilo foi três vezes ao acampamento, mas o cacique permanecia firme: a terra pertenceu aos seus ancestrais, e lá o grupo ficaria.

Entrementes, os fazendeiros contataram a empresa de segurança Gaspem (conhecida no Estado por suas ações violentas contra acampamentos indígenas), comandada pelo policial militar aposentado Aurelino Arce. Com o fracasso das tentativas de suborno, o grupo decidiu, segundo consta na denúncia do MPF acatada pelo Judiciário, pela contratação dos pistoleiros.

Um dia antes, o advogado Levi Palma e o dono da Gaspem teriam acertado os detalhes da ação. Aurelino Arce acionara, então, seus homens - os réus Josivam Vieira de Oliveira (vigilante), Jerri Adriano Pereira Benites (aposentado), Wesley Alves Jardim (ajudante de pedreiro), Juarez Rocanski (vendedor ambulante), Edimar Alves dos Reis (vigilante), Nilson da Silva Braga (vigilante), Ricardo Alessandro Severino do Nascimento (vigilante e gerente da Gaspem), André Pereira dos Santos (vigilante), Robson Neres do Araújo, Marcelo Benitez e Eugenio Benito Penzo -, enquanto Levi cuidou da logística e reuniu, junto aos fazendeiros locais, as armas para o ataque.

Por volta das 22h do dia 17, o grupo de Aurelino chegou à Fazenda Maranata, onde foi recebido pelo fazendeiro Samuel Peloi, que lhes ofereceu um jantar. Após a refeição, já na madrugada do dia 18, Cláudio Adelino Gali, Aparecido Sanches (seu braço direito e capataz em sua fazenda), Samuel Peloi, Levi Palma e os 12 integrantes da Gaspem fecharam os detalhes do ataque. Conforme testemunhas, os fazendeiros repassaram as armas de fogo (ao menos seis, do tipo calibre 12). Decidiu-se o horário da ação e a logística de carros.

O ataque

O ataque ao acampamento foi perpetrado pelos jagunços Josivan, Jerri Adriano, Wesley, Juarez, Edimar, Nilson, Ricardo Alessandro, Robson e Marcelo Benitez, de acordo com as investigações que sustentam a denúncia.

Ao chegarem na trilha que dá acesso ao interior do acampamento de Guaviry, os homens da Gaspem abordaram aos gritos o cacique Nízio Gomes que, assustado, reagiu e acertou o pé direito de Josivan com uma machadinha. Neste momento, começa o tiroteio. Com um tiro sub-axilar, Jerri Adriano mata Nizio. Seu neto, Jhonaton Gomes, de 15 anos, apesar de também ferido, tenta carregar o corpo do avô, mas quando vê os pistoleiros se aproximarem, foge para o mato. Segundo testemunhas, Jerri vai até a vítima, chuta sua cabeça e diz: "esses índios mesmo mortos ainda nos dão trabalho".

A seguir, Robson, Juarez, Edimar, Jerri e Wesley carregam o corpo para fora da mata e colocam-no em uma das duas caminhonetes S-10 que foram utilizadas para acompanhar e dar suporte à ação. O veículo que transportou o corpo do indígena foi conduzido por Aparecido Sanches (funcionário do fazendeiro Cláudio Gali), que estava com outras duas pessoas (ainda não identificadas).

Após desaparecer com o corpo de Nizio, o consórcio de fazendeiros montou uma estratégia para dificultar as investigações. Dois dias depois do crime, Osvin Mittanck, Samuel Peloi Idelfino Maganha se reuniram com o índio Dilo na sede do Sindicato Rural de Aral Moreira. Em troca de dinheiro, pagamento de advogado e apoio à sua candidatura a vereador nas eleições de 2012, Dilo deveria dizer à Polícia Federal (PF) que Nizio estava vivo, escondido em uma aldeia no Paraguai. Pelas mentiras à PF, Dilo recebeu cerca de R$ 2,3 mil dos fazendeiros, apurou a investigação; e concluiu: "o grupo de fazendeiros não poupou esforços para corromper a citada testemunha".

Confirmação da morte


A farsa montada pelos mandantes do assassinato de Nizio não durou muito. Uma das testemunhas-chave no processo foi Tatiane Michele da Silva, de 20 anos. Amante do dono da Gaspem, Aurelino Arce,Tatiane disse à PF que presenciou o momento em que Josivan, Juarez, Jerri Wesley informaram a Aurelino que teriam matado um indígena durante a ação, e que o corpo já estava longe.

Depois das infrutíferas buscas por Nizio no Paraguai, Dilo acabou confessando o esquema de mentiras, tornando-se outra testemunha-chave do processo. Por outro lado, de acordo com a perícia, análises de sangue coletado no local do crime não deixaram dúvidas de que Nizio foi baleado e morto. "A despeito da não localização do corpo ou dos restos mortais, a prova técnica e testemunhal produzidas nestes autos retratam uma miríade de provas e indícios que permitem concluir pela materialidade do delito de homicídio qualificado ora denunciado", sustentou a investigação.

Segundo o MPF, dos 19 acusados - Claudio Adelino Gali (fazendeiro), Levi Palma (advogado), Aparecido Sanches (tratorista, homem de confiança de Cláudio Gali e capataz de sua propriedade rural Sonho Mágico), Samuel Peloi (fazendeiro), Idelfino Maganha (fazendeiro), Dieter Michael Seyboth (advogado e genro de Idelfino Maganha), Osvin Mittanck (presidente do Sindicato Rural e Secretário de Obras de Aral Moreira/MS), Aurelino Arce (PM aposentado, proprietário da Gaspem Segurança Ltda), Josivam Vieira de Oliveira (vigilante, agente executor), Jerri Adriano Pereira Benites (aposentado, agente executor), Wesley Alves Jardim (ajudante de pedreiro, agente executor), Juarez Rocanski (vendedor ambulante, agente executor), Edimar Alves dos Reis (vigilante, agente executor), Nilson da Silva Braga(vigilante, agente executor), Ricardo Alessandro Severino do Nascimento (vigilante, gerente da Gaspem Segurança), André Pereira dos Santos (vigilante, executor), Robson Neres do Araújo, agente executor, Marcelo Benitez, agente executor, e Eugenio Benito Penzo, motorista -, três responderiam pelo homicídio qualificado, lesão corporal, ocultação de cadáver, porte ilegal de arma de fogo e corrupção de testemunha; quatro, por homicídio qualificado, lesão corporal, ocultação de cadáver e porte ilegal de arma de fogo; e 12, por homicídio qualificado, lesão corporal, formação de quadrilha ou bando armado, e porte ilegal de arma de fogo.

O caso corre agora na Justiça Federal de Ponta Porã (processo 0001927-86.2012.4.03.6005). Já durante o inquérito, a PF havia pedido a prisão preventiva de 18 investigados, dos quais sete continuam detidos. Os acusados foram citados para que apresentem suas respectivas defesas.

Demarcação é reivindicação antiga


A área indígena Guaiviry vem sendo reivindicada pelos Guarani-kaiowá desde 2004. De acordo com as lideranças, a área teria sido demarcada como indígena ainda no século XIX, mas na década de 1910, com a criação da Terra Indígena Amambaí pelo Serviço de Proteção ao Índio (SPI), a população de Guaiviry foi transferida para lá e a área anteriormente ocupada, considerada terra devoluta. Segundo o MPF, “a demarcação da terra indígena Guaiviry é conhecido pleito dos Guarani Kaiowá em Mato Grosso do Sul.

Foi objeto, inclusive, de Termo de Ajustamento de Conduta – TAC celebrado entre o Ministério Público Federal e a Funai em 12/11/2007, a fim de que a autarquia indigenista enfim promovesse os tão aguardados estudos de  identificação e delimitação pertinentes, nos termos da legislação em vigor. Importante ressaltar que o indígena Nízio Gomes figurou como testemunha daquele instrumento jurídico, evidenciando sua importância na luta pelo reconhecimento das terras tradicionais da comunidade Guaiviry”. Até o momento, o estudo da área pela Fundação Nacional do Índio (Funai), ligada ao Ministério da Justiça (MJ), não foi finalizado.