terça-feira, 1 de abril de 2014
50 Anos do Golpe Militar é marcado por manifestações na capital sul-matogrossense
As manifestações contra os 50 anos do Golpe Militar não passaram em branco em Campo Grande. Nesta terça-feira militantes ligados a UJS (União da Juventude Socialista) fizeram um Gritaço, com faixas de papéis e velas acesas em frente da residência do tenente Duarte, da reserva do Exército, localizada na Rua Jaime Ferreira de Vasconcelos. O ato por pouco não acaba em tragédia, pois o militar sacou a arma e deu dois tiros para cima, na tentativa de dispersar o grupo.
Na segunda-feira (31.11) data de aniversário da deposição do presidente eleito João Goulart (Jango), militantes ligados as entidades dos movimentos populares, sindicais, movimentos negros, sem terras e indígenas estiveram reunidos na sede Fetems homenageando lideranças perseguidas e torturadas pelo Regime Militar, entre elas o fundador do PT no MS, Ezequiel Ferreira Lima (in-memorian) representado pela filha, professora Zenite e o publicitário Felix Nunes, editor do jornal Aroeira e militante sindical no ABC Paulista em companhia do ex-presidente Lula.
A Noite o Ato Público contra o Golpe na Praça da República reuniu mais de 1.500 pessoas que protestaram contra a Ditadura e contra a deposição do ex-prefeito Alcides Bernal pela Câmara de Vereadores de Campo Grande.
Na sexta-feira a direção estadual do PT promoveu o ato 1964 Nunca Mais, na Câmara de Vereadores de Campo Grande, reunindo os dirigentes com o pesquisador Eronildo Barbosa da Silva - Doutor em Educação e Professor da UFMS, o militante dos direitos humanos, Lairson Ruy Palermo - Advogado e Coordenador do Comitê Memória, Verdade e Justiça e do ex-vice-governador, Egon Krachecke, ativista político torturado pelo regime e exonerado do serviço público por perseguição política.
A novidade no entanto foram iniciativas de cidadãos ou grupos ligados a juventude que estiveram nos jornadas de junho 2013 adesivando ruas importantes das cidades, rebatizadas com nomes de ativistas executados pelo regime militar. A Avenida Costa e Silva recebeu o adesivo o estudante Edson Luiz, morto em uma manifestação contra o Golpe no Rio de Janeiro. A avenida Ernesto Geisel (Norte Sul) ficou o nome do líder indígena assinado Marçal de Souza e a Avenida Castelo Branco recebeu o adesivo do Jornalista Wladimir Herzog, torturado e morte por agentes do DOI-CODI numa delegacia de polícia de São Paulo.
Na plenária foi tirada como tarefa para o fortalecimento da democracia a coleta de mais de 100 mil assinaturas no Estado ao projeto de realização da constituinte independente e soberana para realização do plebiscito da reforma eleitoral. As entidade avaliam que o atual sistema de representação está profunda crise, necessitando de mudanças que acabe o financiamento privado nas campanhas eleitorais, o fim do personalismo eleitoral, com a votação em partidos e listas de candidatos e incrementação de sistemas de consultas diretas aos eleitores em matérias polêmicas e que não tramitam na Câmara por interesses corporativos: reforma eleitoral, reforma tributária, tributação das grandes fortunas, imposto progressivo e redução da carga tributária.
domingo, 16 de março de 2014
Alcides Bernal: vítima da própria soberba
Como jornalista e militante político acompanhei nos bastidores a carreira, ascenção e queda de Alcides Bernal na conquista da Prefeitura de Campo Grande. Inclusive colaborei na construção de seu projeto, trabalhando com assessor de imprensa ate três dias antes de se desicompatalizar para disputar o cargo. Depois disso cada um seguiu seu rumo.
Acredito que se tivesse considerado algumas recomendações presentes no Livro "O Príncipe", de Maquiavel, bíblia da sociologia política, não teria cometido uma sucessão de equívocos dosadas por uma personalidade complexa, com fortes traços de desconfiança e de soberba.
Maquiável recomenda que o Rei deve primeiro fortalecer seu exército, ser generoso e não menosprezar os adversários.
A última eleição para Governador já havia indicado um certo desgaste da atual administração peemedebista no Estado, quando saindo do ostracismo, o atual vereador Zeca do PT, conseguiu obter cerca de 43% dos votos válidos.
Nesta eleição enfrentou duas máquinas poderossíma: o Estado e Prefeitura de Campo Grande. Mais uma candidatura competitiva poderia ter levado o pleito para o segundo turno e mudar o rumo do comando do Palácio de Poderes.
O saldo eleitoral apontou a tendência do eleitorado de Campo Grande por mudança. Neste vácuo surgiu o nome de Alcides Bernal, deputado estadual mais votado da coligação encabeçada por Zeca do PT e que capitalizou eleitoralmente a incapacidade da então direção do PT e de suas lideranças de apresentar uma candidatura nova para prefeitura de Campo Grande, capaz de seduzir o eleitorado, mesmo diante de o desgaste enfrentado nacionalmente pela legenda no caso "Mensalão".
A turbulência no projeto de Bernal iniciou quando começou a disputar o comando do PP com outras lideranças mais antigas da legenda, Luiz Pedro e Paulo Mattos, por ironia, os algozes que protocolaram o pedido de instalação da CPI processante.
Os equívocos continuaram quando isolou politicamente o ex-chefe de gabinete, César Afonso, depondo-o da presidência do PP de Campo Grande e seu ex-assessor jurídico, o advogado, Rubens Cleyton, preteridos do quadro administrativo de confiança. Além disso, desconsiderou a importância política de Aldo Olarte, isolado, sem gabinete, sem função e que também foi agraciado com os 170 mil votos dados pelos eleitores, inclusive do PT, PSDB e independentes.
Acredito que se tivesse considerado algumas recomendações presentes no Livro "O Príncipe", de Maquiavel, bíblia da sociologia política, não teria cometido uma sucessão de equívocos dosadas por uma personalidade complexa, com fortes traços de desconfiança e de soberba.
Maquiável recomenda que o Rei deve primeiro fortalecer seu exército, ser generoso e não menosprezar os adversários.
A última eleição para Governador já havia indicado um certo desgaste da atual administração peemedebista no Estado, quando saindo do ostracismo, o atual vereador Zeca do PT, conseguiu obter cerca de 43% dos votos válidos.
Nesta eleição enfrentou duas máquinas poderossíma: o Estado e Prefeitura de Campo Grande. Mais uma candidatura competitiva poderia ter levado o pleito para o segundo turno e mudar o rumo do comando do Palácio de Poderes.
O saldo eleitoral apontou a tendência do eleitorado de Campo Grande por mudança. Neste vácuo surgiu o nome de Alcides Bernal, deputado estadual mais votado da coligação encabeçada por Zeca do PT e que capitalizou eleitoralmente a incapacidade da então direção do PT e de suas lideranças de apresentar uma candidatura nova para prefeitura de Campo Grande, capaz de seduzir o eleitorado, mesmo diante de o desgaste enfrentado nacionalmente pela legenda no caso "Mensalão".
A turbulência no projeto de Bernal iniciou quando começou a disputar o comando do PP com outras lideranças mais antigas da legenda, Luiz Pedro e Paulo Mattos, por ironia, os algozes que protocolaram o pedido de instalação da CPI processante.
Os equívocos continuaram quando isolou politicamente o ex-chefe de gabinete, César Afonso, depondo-o da presidência do PP de Campo Grande e seu ex-assessor jurídico, o advogado, Rubens Cleyton, preteridos do quadro administrativo de confiança. Além disso, desconsiderou a importância política de Aldo Olarte, isolado, sem gabinete, sem função e que também foi agraciado com os 170 mil votos dados pelos eleitores, inclusive do PT, PSDB e independentes.
No jogo de xadrez poderia ter dado o check mate nomeando-o com Secretário de Governo e que poderia abrir um bloco político dentro da Câmara a partir das articulações dos ex-vereador que conhecia muito bem os seus pares, "negócios", interesses políticos e pessoais.
Nesta trajetória de ego e alter rego a situação de Bernal ficou mais grave em razão da dificuldade de trabalhar em equipe, estruturar uma equipe competente já na fase de transição, capaz de elaborar cenários, o plano B e as prioridades em todas as áreas da administração, desmontando por dentro, a médio prazo, os vícios seculares herdados da ex-administração.
Tudo isso, aliado a capacidade de estruturar uma nova forma de governar com os setores organizados da sociedade e a comunidade, como o orçamento participativo, capaz de aumentar a pressão popular sobre o legislativo municipal e fazer a fórceps construir uma maioria.
A desconfiança nos pares e aliados, somada a demora nas decisões de governar, generosamente, inviabilizou a construção de um bloco majoritário, pois com 10 vereadores inviabilizaria a CPI processante. O bloco chegou a nove e caiu para 6, diante da demora no cumprimento dos acordos costurados pelo líder de governo na Câmara, Marcos Alex e do secretário de Governo, Pedro Chaves. A situação leva a deduzir que Bernal não acreditava na votação ou jogou todo o peso na via judicial, em que foi derrotado em última instância.
No meio da cova de leões, sem maioria, Bernal nao poderia, em momento algum vacilar no campo administrativo, com erros sucessivos como a redução dos índices do duodécimo e questionamento de contrato de serviços essenciais sem alternativas inteligentes.
Bernal não tinha dimensões da rede de interesses que estava mexendo, fato que o obrigava a costurar o campo popular e uma maioria na Câmara, sem falar na renovação do quadro de confiança ligadas a ex-administração. Entrou em campo e trocou os jogadores, quando muitos o técnico. Ficou então cercado de adversários, dentro e fora das secretarias.
A conquista do executivo, em hipótese alguma, é a conquista do poder, mais de uma fração do poder. A vontade do Rei nem sempre é imperativa.
Nesta trajetória de ego e alter rego a situação de Bernal ficou mais grave em razão da dificuldade de trabalhar em equipe, estruturar uma equipe competente já na fase de transição, capaz de elaborar cenários, o plano B e as prioridades em todas as áreas da administração, desmontando por dentro, a médio prazo, os vícios seculares herdados da ex-administração.
Tudo isso, aliado a capacidade de estruturar uma nova forma de governar com os setores organizados da sociedade e a comunidade, como o orçamento participativo, capaz de aumentar a pressão popular sobre o legislativo municipal e fazer a fórceps construir uma maioria.
A desconfiança nos pares e aliados, somada a demora nas decisões de governar, generosamente, inviabilizou a construção de um bloco majoritário, pois com 10 vereadores inviabilizaria a CPI processante. O bloco chegou a nove e caiu para 6, diante da demora no cumprimento dos acordos costurados pelo líder de governo na Câmara, Marcos Alex e do secretário de Governo, Pedro Chaves. A situação leva a deduzir que Bernal não acreditava na votação ou jogou todo o peso na via judicial, em que foi derrotado em última instância.
No meio da cova de leões, sem maioria, Bernal nao poderia, em momento algum vacilar no campo administrativo, com erros sucessivos como a redução dos índices do duodécimo e questionamento de contrato de serviços essenciais sem alternativas inteligentes.
Bernal não tinha dimensões da rede de interesses que estava mexendo, fato que o obrigava a costurar o campo popular e uma maioria na Câmara, sem falar na renovação do quadro de confiança ligadas a ex-administração. Entrou em campo e trocou os jogadores, quando muitos o técnico. Ficou então cercado de adversários, dentro e fora das secretarias.
A conquista do executivo, em hipótese alguma, é a conquista do poder, mais de uma fração do poder. A vontade do Rei nem sempre é imperativa.
Fica aos súditos fiéis a revolta dos eleitores que depositaram em Bernal a esperança de renovação. Resta saber como o sentimento do eleitorado vai ser traduzido nas eleições deste ano, pois uma ação corresponde uma reação.
Fica o Olarte o desafio de Governar tendo em mente a construção de uma raia própria, capaz de não se tornar refém das velhas raposas políticas e de pavimentar seu projeto de reeleição, em meio a outros interessados, sem perder o apoio de parte da bancada federal e as valorosas cifras dos recursos da União.
Neste cenário, a sociedade deve ficar atenta para que as ondas de deposição do ex-presidente paraguaio, Fernando Lugo, não se torne lugar comum nos legislativos sul-mato-grossense ou brasileiro.
Fica o Olarte o desafio de Governar tendo em mente a construção de uma raia própria, capaz de não se tornar refém das velhas raposas políticas e de pavimentar seu projeto de reeleição, em meio a outros interessados, sem perder o apoio de parte da bancada federal e as valorosas cifras dos recursos da União.
Neste cenário, a sociedade deve ficar atenta para que as ondas de deposição do ex-presidente paraguaio, Fernando Lugo, não se torne lugar comum nos legislativos sul-mato-grossense ou brasileiro.
Aqui passamos por uma versão paraguaia que acende o sinal vermelho dos limites da democracia representantiva e o jogo de interesses não confessados pela mídia.
segunda-feira, 10 de março de 2014
Dom Dimas pede engajamento de católicos no combate ao tráfico humano
O arcebispo de Campo Grande, Dom Dimas, pediu o engajamento
dos cristãos no combate ao tráfico humano. O apelo aconteceu no último domingo,
no ginásio poliesportivo Dom Bosco, na abertura oficial da campanha da
fraternidade, tema “Fraternidade e
Tráfico Humano” e o lema “Para Liberdade que Cristo nos libertou (Gl 5,1)”. Participaram
do evento mais de duas mil pessoas.
O arcebispo focou
parte da homilia falando sobre a
tentação dos 40 dias que Cristo passou no deserto, fazendo alusão a cobiça,
a inveja e ganância. Teceu críticas a fé individualista em que os ensinamentos
de Cristo são moldados às necessidades próprias de cada um, perdendo sua dimensão
social. Por isso reafirmou o compromisso
de todos os católicos com a fraternidade, a solidariedade humana e partilha, onde destacou a
multiplicação dos pães e dos peixes como exemplo.
Dom Dimas disse que recebeu diversos questionamentos
sobre tema escolhido, mas é o papel da
igreja católica é despertar os cristãos para realidade que não existe apenas em
novela, mas está presente no recrutamento de trabalhadores, mulheres e até
mesmo tráfico de órgãos. Pediu
receptividade e acolhida para migrantes e imigrantes, lembrando que no Brasil o
tráfico humano esta presente por meio da migração de mão-de-obra de um lugar para
outro. Citou com exemplo a situação dos nordestinos nos canaviais de São Paulo.
O evangelizador também destacou o papel pioneiro da Campanha
Fraternidade criada há mais de 40 anos pela Igreja Católica no Brasil, uma das
poucas experiências no mundo e em fase de implantação na Alemanha e em alguns
países do mundo..
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Atraso na entrega do passe revolta estudantes que realizam debate hoje na UFMS
Estudantes
avaliam os prejuízos e prometem mobilização e ação judicial para
ressarcimento dos valores gastos com o passe até a entrega
Apesar
do passe livre do estudante ser estabelecido em lei municipal, os
estudantes da Universidade Federal não receberam até agora os cartões e
estão tendo que arcar com os custos do transporte coletivo, apesar da
garantia legal. O mesmo vem acontecendo com os alunos do ensino fundamental da Rede Municipal de Ensino e da Rede Estadual do Ensino, caracterizando um descaso das empresas de ônibus e da Agetran no cumprimento de um direito conquistado há mais de 20 anos e que não pode mais conviver com a inoperância da gestão pública.
Segundo os estudantes, tal fato já é corriqueiro em todo o
início de todo ano letivo e o argumento é sempre o mesmo: “problemas
burocráticos”.
“Estamos
cansados dessa história de problemas burocráticos, que todo ano
prejudica os estudantes e beneficia as empresas de transporte coletivo,
pois nesse período somos obrigados a arcar com os custos, apesar da lei
que garante o passe livre. Não aceitamos mais esse argumento. A
prefeitura tem tempo nas férias para organizar e tem que ter pessoal
suficiente para atender a demanda”, afirma uma das estudantes que
auxilia a mobilizar a reunião.
Ação legal e mobilização –
Os estudantes prometem organizar uma manifestação e uma ação jurídica
para que os estudantes recebam de volta o que estão gastando agora. “Não
podemos aceitar. Tem uma lei que precisa ser respeitada. Vamos pedir o
ressarcimento do que estamos gastando agora. Queremos o passe retroativo
ao começo das aulas porquê isso é garantido em lei. Vamos procurar o
Ministério Público e entrar com uma ação junto à Procuradoria dos
Interesses Difusos e Coletivos. Os empresários que operam o transporte
coletivo e a prefeitura precisam assumir as suas responsabilidades”,
afirma a estudante.
A
reunião está marcada para ter início às 18 horas, na Concha Acústica da
UFMS. Caso chova, deve ser transferida para o DCE (Diretório Central
dos Estudantes).
Com informações do Cedampo.
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
30 anos das Diretas Já - Juventude secundarista lidera movimento no MS
![]() |
| Comício das Diretas a Praça da Sé - Arquivo Ig |
Os 30 anos das Diretas, comemorada hoje, já devia ser um dia de muita reflexão sobre o valor da Democracia no nosso País. Movimento pacífico, ordeiro e legítimo nascido do berço do novo sindicalismo desatrelado do Estado, das comunidades eclesiais de base, do novo empresariado que clamava por oportunidades e participação de uma nova Economia.
O modelo econômico, desenvolvimentista, dependente do capital internacional e cartesiano gestado pelo Regime Militar já não mais atendia nem as próprias forças de direita. Precisa ser modernizado. Descontentes, eles se uniram ao campo popular e democrático e teve como desdobramento uma das maiores mobilizações populares pacíficas do País.
Aqui em Campo Grande o movimento das Diretas Já! teve movimento secundarista, no antigo Partido Comunista do Brasil, no MR-8, PCdoB, no MDB de intelectuais, empresários e profissionais liberais e o pequeno, mais aguerrido PT, a força para estruturar e ganhar as ruas.
Ancorado na militância da Juventude Secundarista, reunidas na UCE, partiram as passeatas até as esquinas da 14 de julho com Afonso Pena. Delas surgirem lideranças políticas com Waldir Neves que da esquerda pulou para os braços do PSDB e hoje é Conselheiro do Tribunal de Contas, Alex do PT, Luísa Ribeiro, Pedro Kemp. De tabela abriu caminho para que o governo do Estado saísse dos braços de Pedro Pedrossian e o campo democrático elegesse Wilson Barbosa Martins o novo governador popular de Mato Grosso do Sul e ainda revelasse o atual Governador André Puccinelli, na época considerado progressista.
Empurrados por comícios musicais animados ao som de Coração de Estudante, Bailes da Vida de Milton Nascimento, animados por pratas como o velho e sempre bom grupo Acaba, o sorriso e a alegria eram as marcas da irreverência de milhares de campo-grandenses clamando nas ruas por um nova ordem política e econômica, com o fim do FMI, chanceladas por Delfim Neto e cia.
Parte do Congresso fechou os olhos para o clamor das ruas, como a Emenda Dante de Oliveira, não sendo aprovada. Houve a recusa dos parlamentares do PT que se negaram a participar do acordão que tiveram à frente José Sarney e Menestrel das Alagoas, Teotônio Vilela, ela abriu o caminho para uma transição de democrática que garantiu mais quatro ano para o Presidente militar João Batista Figueiredo. Foi preciso recuar para avançar.
Parte do Congresso fechou os olhos para o clamor das ruas, como a Emenda Dante de Oliveira, não sendo aprovada. Houve a recusa dos parlamentares do PT que se negaram a participar do acordão que tiveram à frente José Sarney e Menestrel das Alagoas, Teotônio Vilela, ela abriu o caminho para uma transição de democrática que garantiu mais quatro ano para o Presidente militar João Batista Figueiredo. Foi preciso recuar para avançar.
Mesmo com 30 anos de regime democrático, ainda convivemos com mídia pouca acostumada com ela. A juventude que na época criticava a Rede Globo pela omissão na cobertura da campanha envelheceu, mas a nova juventude das jornadas de junho de 2013 continua criticando o mesmo modelo de jornalismo manipulador e anti-democrático produzido do País e agora contestado nas ruas e pelas redes sociais.
Depois de 30 anos, as jornadas de junho de 2013, puxada pela ciberjuventude traz novos desafios, agora contestando a velha formula de fazer política e os acordões políticos.
A exemplo de que aconteceu nas Diretas Já, o Congresso, cujos representantes foram eleitos pelo voto popular, não deve tapar os ouvidos para os apelos que vieram da rua.
Estamos diante de um novo paradigma e os desdobramentos são imprevisíveis. Os anonymous não aceitam a política do faz de conta, vai passar, vamos empurrar com a barriga, vamos parecer honestos. Eles têm pressa e cobram agora qualidade de vida. Daí a importância de se fazer uma reforma política e eleitoral profunda, inverter as ordem das políticas públicas e do combate sem trégua a corrupção, apertar o passo na distribuição de renda, inverter a lógica perversa de cobranças de impostos, dentre outras demandas reprimidas.
Estamos diante de um novo paradigma e os desdobramentos são imprevisíveis. Os anonymous não aceitam a política do faz de conta, vai passar, vamos empurrar com a barriga, vamos parecer honestos. Eles têm pressa e cobram agora qualidade de vida. Daí a importância de se fazer uma reforma política e eleitoral profunda, inverter as ordem das políticas públicas e do combate sem trégua a corrupção, apertar o passo na distribuição de renda, inverter a lógica perversa de cobranças de impostos, dentre outras demandas reprimidas.
Depois desta trajetória, o País precisa ser passado a limpo e a democracia radicalizada, sob pena de retrocessos nas conquistas obtidas nas ruas, em mobilizações históricas com as Diretas Já e o Impeachment de Collor, hoje senador e aliado do Governo Dilma.
Não podemos e não devemos desencantar nossa juventude.
A democracia é um valor Universal e patrimônio de todos os brasileiros.
Não podemos e não devemos desencantar nossa juventude.
A democracia é um valor Universal e patrimônio de todos os brasileiros.
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Justiça Federal determina que a União indenize fazendeiros de Yvy Katu
Depois de dezenas de liminares, a última suspendendo a reintegração das terras Yvy Katu, concedida sobre ameaça de
suicídio coletivo e confronto, o Informativo da Aty Guasu Guarani e Kaiowá divulgou
que a pedido do MPF/Dourados-MS, 1ª Vara
Justiça Federal de Naviraí-MS reconheceu que a União/Governo Federal, no
passado recente, vendeu o TEKOHA YVY KATU, terra indígena Guarani e Kaiowá
,para os fazendeiros em meados de século XX.
Por essa razão, fundamental, a juíza federal Dra Raquel D. Amaral, no
dia 19/12/2013, determina a devolução imediata dos dinheiros aos 14 fazendeiros
que compraram a terra indígena Guarani e Kaiowá YVY KATU-Japorã-MS. v. nº
0001628-72.2013.403.6006. Assim, a justiça federal garantiu a indenização para
os fazendeiros disputantes da terra indígena YVY KATU, bloqueando o recurso
federal para repassar imediatamente aos fazendeiros. ]
Se a União não cumprir pagará multa de um milhão R$ de
reais. Entendemos que é uma decisão judicial histórica. Nesse sentido, os
fazendeiros vão receber os seus dinheiros, quem comprou mesmo vai receber. Por
isso, as comunidades Guarani e Kaiowá definitivamente retornarão a reocupar as
suas terras tradicionais.
Aty Guasu luta contra a injustiça
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Guarani-Kaiowá de Yvy Katu começam Ritual de Despedida
MATO GROSSO DO SUL / BRASIL
Tekoha Yvy Katu – Japorã - Mato Grosso do Sul – Brazil. December 12th 2013.
Tekoha YVY KATU - Japorã - Mato Grosso do Sul, Brasil, 12 de diciembre de 2013.
‘Pela última vez, avisamos a todos (as) que desde do 12/12/2013, começamos a realizar um raro ritual religioso nosso de despedida da vida da terra, essa é a nossa crença, um ato consciente de preparação da vida para a morte forçada pelas armas de fogo dos homens brancos, ou melhor, começamos a participar da cerimônia de aceitação e confirmação da saída forçada da alma do corpo e sua volta ao cosmo Guarani em função da morte forçada no campo da luta. Esse é um dos rituais de despedidas da vida que raramente se realiza, mas hoje começamos a praticar.’
VIA ATY GUASU
Aty Guasu divulga a decisão de 5.000 Guarani e Kaiowá do YVY KATU diante de cincos ordem de despejo judicial contra os Guarani e Kaiowá, sendo 4 ordem de Justiça Federal de Naviraí-MS, uma ordem de despejo é do Tribunal Regional de São Paulo-SP, que foi deferida hoje 12/12/2013. Frente à ordem os Guarani e Kaiowá escreveram essa carta que segue. É para compartilhar
Tekoha Yvy Katu-Japorã-Mato Grosso do Sul-BRASIL, 12 de dezembro de 2013.
Decisão definitiva de 5.000 indígenas Guarani e Kaiowá para Governo, Justiça Federal e para todas as sociedades nacionais e internacionais do Mundo.
Hoje no dia 12 de dezembro de 2013, nós 5.000 mil indígenas Guarani e Kaiowá do TEKOHA YVY KATU recebemos notícia de mais uma ameaça de morte coletiva, é a ordem de violência contra nós e despejo expedida pela Justiça Federal do Tribunal Regional de São Paulo-S.P. Assim, claramente a justiça brasileira vai matar todos nós Guarani e Kaiowá. Mais uma ordem de despejo da Justiça Federal deixa evidente para nós que a Justiça do Brasil está autorizando o extermínio Guarani e Kaiowá, as violências, morte coletiva, sobretudo extinção e dizimação Guarani e Kaiowá do Brasil.
Entendemos que em 10 anos, a Justiça Federal do Brasil já decretou várias vezes a nossa expulsão de nossa terra YVY KATU que significa que a Justiça do Brasil está mandando matar todos nós índios aqui no Yvy Katu. Já faz dois meses que retornamos comunicar à Justiça Federal e ao Governo Federal que nós comunidades voltamos a reocupar o nosso tekoha YVY KATU e recomeçamos morar no pedaço de nossa terra. Avisamos também que não vamos sair mais de nossa terra YVY KATU, aqui morreremos todos juntos, aqui queremos ser enterrados todos. Essa é a nossa decisão definitiva que não mudamos nossa decisão. Já enviamos e reenviamos várias vezes ao Governo Federal e ao Ministro da Justiça, à Presidenta Dilma, ao Ministério Público Federal, ao Presidente do Supremo Tribunal Federal.
Hoje 12/12/2013, mais uma vez, encaminhamos a nossa decisão definitiva à Presidenta Dilma e ao Presidente do Conselho Nacional da Justiça e do Supremo Tribunal Federal para entender e atender os nossos últimos pedidos. Demandamos às autoridades federais supremas do Brasil as seguintes. Estamos reunidos 4.000 mil Guarani e Kaiowá aqui no tekoha YVY KATU para resistir à ordem de despejo, a nossa decisão é lutar até morte pela nossa terra YVY KATU, nem depois de nossa morte não vamos sair daqui do YVY KATU.
Pedimos ao Governo Dilma e Presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa para mandar somente enterrar coletivamente todos nós aqui no tekoha YVY KATU. Nem vivos e nem morto iremos sair daqui de nossa terra antiga. Com vida ainda, antecipamos os nossos pedimos à Justiça, esse nosso direito de ser sepultado ou enterrado aqui no YVY KATU, esse pedido exigimos à Justiça do Brasil.
Solicitamos ainda à presidenta Dilma, à Justiça Federal que decretou a nossa expulsão e a morte coletiva para assumir a responsabilidade de amparar e ajudar as crianças, mulheres e idosos (as) sobreviventes aqui no YVY KATU que certamente vão ficar sem pai e sem mãe após a execução do despejo pela força policial. Uma vez que a Justiça Federal de Navirai-MS em novembro, já determinou o uso da força policial contra nossa vidas e luta, diante disso comunicamos à juíza federal que nós vamos resistir até morte à ordem de despejo, temos absoluta certeza que morreremos pela nossa terra YVY KATU, a juíza já está ciente de nossa decisão. Todas as autoridades também já estão cientes de nossa decisão que como povo nativo Guarani vamos lutar até a morte pela terra YVY KATU.
Hoje 12/12/2013, mais uma vez passamos comunicar ao juiz federal do Tribunal Federal de São Paulo que não vamos sair do tekoha YVY KATU, aqui vamos resistir e morrer todos lutando. De forma igual, comunicamos à presidenta Dilma. Pela última vez, avisamos a todos (as) que a partir de hoje 12/12/2013, começamos a realizar um raro ritual religioso nosso de despedida da vida da terra, essa é a nossa crença, um ato consciente de preparação da vida para a morte forçada pelas armas de fogo dos homens brancos, ou melhor, começamos a participar da cerimônia de aceitação e confirmação da saída forçada da alma do corpo e sua volta ao cosmo Guarani em função da morte forçada no campo da luta. Esse é um dos rituais de despedidas da vida que raramente se realiza, mas hoje começamos a praticar. Começamos a participar desse ritual de aceitação da morte forçada e despedida da vida, das famílias e dos amigos (as), pois sabemos bem que a Justiça Federal está autorizando os homens brancos armados para atacar e matar nós aqui no tekoha YVY KATU. Comunicamos a todos (as), pois nós Guarani e Kaiowá do YVY KATU decidimos a resistir à ação de despejo e seremos mortos pela arma de fogo dos homens brancos ou policiais. Não há dúvida. Não iremos recuar nem um passo para traz, vamos resistir por questão de honra e profundo respeito aos nossos ancestrais mortos no YVY KATU, decididos, vamos lutar e morrer pela nossa terra onde estão enterrados os nossos antepassados. Por essa razão, pedimos ao Governo e a Justiça para mandar enterrar nós todos aqui no tekoha YVY KATU, porque nem vivo e nem morto não vamos sair do tekoha YVY KATU. Essa é a nossa decisão definitiva. Mais uma vez, convidamos a todas as sociedades nacionais e internacionais para acompanhar e assistir ao genocídio e a dizimação de 4.000 povo nativo Guarani e Kaiowá do YVY KATU pela justiça do Brasil por meio dos homens “brancos” POLICIAIS armados brasileiros aqui no Mato Grosso do Sul/BRASIL.
Tekoha Yvy Katu, 12 de dezembro de 2013
Comunidades Guarani e Kaiowá do tekoha YVY KATU-Japorã-MS-BRASIG
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