Relatório final terá capítulo específico para descrever ações
As investigações da Comissão Nacional da Verdade (CNV), sobre os métodos de tortura durante o regime militar, apontam que além de usarem pedaços de madeira e choques elétricos, os torturadores chegaram a usar animais vivos para obter informações de militantes de esquerda. Os métodos de tortura mapeados nos últimos meses chocaram os membros da comissão. Pelas informações coletadas até o momento, animais como cobras, ratos e jacarés teriam sido utilizados nas casas da morte entre outros locais de tortura no Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo.
As investigações da Comissão Nacional da Verdade (CNV), sobre os métodos de tortura durante o regime militar, apontam que além de usarem pedaços de madeira e choques elétricos, os torturadores chegaram a usar animais vivos para obter informações de militantes de esquerda. Os métodos de tortura mapeados nos últimos meses chocaram os membros da comissão. Pelas informações coletadas até o momento, animais como cobras, ratos e jacarés teriam sido utilizados nas casas da morte entre outros locais de tortura no Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo.
Ex-delegado do DOPS: Cláudio Guerra diz temer queima de arquivo
Nesta
semana, por exemplo, o ex-delegado do DOPS (Departamento de Ordem
Político Social) do Espírito Santo Cláudio Guerra confirmou aos membros
da comissão que, nas sessões de tortura testemunhadas por ele, jiboias
foram usadas para torturar militantes de esquerda. Segundo Guerra,
animais foram utilizados na 2ª Seção da Polícia Militar no Espírito
Santo e no 38º Batalhão de Infantaria do Exército. “Acho a tortura uma
covardia”, disse a membros da comissão. Guerra é autor de depoimentos
tomados pelos jornalistas Rogério Medeiros e Marcelo Netto que deram
origem ao livro "Memórias de uma Guerra Suja" (Topbooks). A publicação
trouxe várias revelações sobre o regime militar até então desconhecidas.
A obra foi revelada com exclusividade pelo iG, em maio de 2012.
Alguns
relatos apontam o uso de ratos em sessões de tortura em Minas Gerais.
Jiboias também teriam sido usadas em São Paulo e Rio. Durante as
investigações, os membros da CNV obtiveram informações de que jacarés
eram colocados em frente a presos políticos para que mordessem os
militantes que não colaborassem. Ainda não existem informações concretas
sobre os locais de tortura onde os jacarés foram usados. Já os ratos e
as jiboias eram adotados principalmente para intimidar as mulheres.
Pelas informações obtidas pela CNV, existem relatos de torturadores que
introduziam ratos vivos nos órgãos genitais das presas políticas.
Internamente,
os membros da comissão classificam esses métodos de tortura como de
“crueldade extrema”. Normalmente, o uso de animais vinha aliado à
aplicação de choques elétricos e espancamentos com pedaços de madeira.
No caso das mulheres, ainda havia o estupro (algumas vezes coletivo) das
vítimas.
50 anos do golpe: A ação militar que mergulhou o País em 21 anos de ditadura
Desde
o mês de junho, a Comissão da Verdade intensificou a tomada de
depoimentos para complementar a elaboração do relatório final do órgão,
que já está sendo redigido paralelamente às informações que vêm sendo
prestadas por colaboradores. De acordo com o coordenador da CNV, Pedro
Dallari, a expectativa é de que pelo menos outros 100 depoimentos sejam
tomados até setembro.
Além
de obter informações sobre o desaparecimento de presos políticos, os
membros da CNV querem, nos próximos depoimentos, obter mais informações
sobre os métodos de tortura utilizados nas casas da morte, inclusive o
uso de animais nessas sessões.
Dentro
dessa lista de depoimentos, a comissão também já estuda a possibilidade
de chamar novamente para depor o coronel reformado Carlos Alberto
Brilhante Ustra, comandante do Destacamento de Operações de
Informações-Centro de Operações de Defesa Interna do 2º Exército em São
Paulo (DOI-Codi/SP), entre 1970 e 1974. No seu primeiro depoimento à
comissão, em maio do ano passado, Ustra negou-se a responder a várias
perguntas, mas, conforme membros do órgão, deu indícios de participação
em alguns desaparecimentos de presos políticos.
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