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quarta-feira, 30 de julho de 2014

Taxa de desemprego em relativa estabilidade, avalia DIESEE



Em junho, as informações da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) mostram que o total de desempregados, no conjunto das seis regiões metropolitanas onde a pesquisa é realizada (Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo), foi estimado em 2.253 mil pessoas, 14 mil a menos do que no mês anterior.

A taxa de desemprego total manteve-se relativamente estável, passando de 10,9%, em maio, para os atuais 10,8%. O total de ocupados foi estimado em 18.582 mil pessoas e a População Economicamente Ativa (PEA) em 20.835 mil. A taxa de desemprego total diminuiu em Porto Alegre e Belo Horizonte, aumentou em Salvador e permanecer relativamente estável em Fortaleza, Recife e São Paulo.

O nível de ocupação aumentou no setor de Serviços, com a criação de 34 mil postos de trabalho, e na Indústria de Transformação, com 29 mil. A retraça foi identificada no Comércio e Reparação de Veículos Automotores e Motocicletas, que eliminou 41 mil postos de trabalho. O setor da Construção não variou.

O número de assalariados aumentou em 0,4%. No setor privado, ampliou-se o assalariamento com carteira de trabalho assinada (0,4%) e ficou estável o sem carteira assinada. O contingente de autônomos aumentou 0,7%. As ocupações classificadas nas demais posições reduziram -2,8% e o emprego doméstico -0,3%.

Em maio, o rendimento médio dos ocupados diminuiu -0,9% e dos assalariados -1,2%, passando a equivaler a R$ 1.725 e R$ 1.728, respectivamente.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Torturadores do regime militar utilizam ratos em estupros de militantes de esquerda

Relatório final terá capítulo específico para descrever ações
As investigações da Comissão Nacional da Verdade (CNV), sobre os métodos de tortura durante o regime militar,  apontam que além de usarem pedaços de madeira e choques elétricos, os torturadores chegaram a usar animais vivos para obter informações de militantes de esquerda. Os métodos de tortura mapeados nos últimos meses chocaram os membros da comissão. Pelas informações coletadas até o momento, animais como cobras, ratos e jacarés teriam sido utilizados nas casas da morte entre outros locais de tortura no Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo.
Nesta semana, por exemplo, o ex-delegado do DOPS (Departamento de Ordem Político Social) do Espírito Santo Cláudio Guerra confirmou aos membros da comissão que, nas sessões de tortura testemunhadas por ele, jiboias foram usadas para torturar militantes de esquerda. Segundo Guerra, animais foram utilizados na 2ª Seção da Polícia Militar no Espírito Santo e no 38º Batalhão de Infantaria do Exército. “Acho a tortura uma covardia”, disse a membros da comissão. Guerra é autor de depoimentos tomados pelos jornalistas Rogério Medeiros e Marcelo Netto que deram origem ao livro "Memórias de uma Guerra Suja" (Topbooks). A publicação trouxe várias revelações sobre o regime militar até então desconhecidas. A obra foi revelada com exclusividade pelo iG, em maio de 2012.
Alguns relatos apontam o uso de ratos em sessões de tortura em Minas Gerais. Jiboias também teriam sido usadas em São Paulo e Rio. Durante as investigações, os membros da CNV obtiveram informações de que jacarés eram colocados em frente a presos políticos para que mordessem os militantes que não colaborassem. Ainda não existem informações concretas sobre os locais de tortura onde os jacarés foram usados. Já os ratos e as jiboias eram adotados principalmente para intimidar as mulheres. Pelas informações obtidas pela CNV, existem relatos de torturadores que introduziam ratos vivos nos órgãos genitais das presas políticas.
Internamente, os membros da comissão classificam esses métodos de tortura como de “crueldade extrema”. Normalmente, o uso de animais vinha aliado à aplicação de choques elétricos e espancamentos com pedaços de madeira. No caso das mulheres, ainda havia o estupro (algumas vezes coletivo) das vítimas.
Desde o mês de junho, a Comissão da Verdade intensificou a tomada de depoimentos para complementar a elaboração do relatório final do órgão, que já está sendo redigido paralelamente às informações que vêm sendo prestadas por colaboradores. De acordo com o coordenador da CNV, Pedro Dallari, a expectativa é de que pelo menos outros 100 depoimentos sejam tomados até setembro.
Além de obter informações sobre o desaparecimento de presos políticos, os membros da CNV querem, nos próximos depoimentos, obter mais informações sobre os métodos de tortura utilizados nas casas da morte, inclusive o uso de animais nessas sessões.
Dentro dessa lista de depoimentos, a comissão também já estuda a possibilidade de chamar novamente para depor o coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, comandante do Destacamento de Operações de Informações-Centro de Operações de Defesa Interna do 2º Exército em São Paulo (DOI-Codi/SP), entre 1970 e 1974. No seu primeiro depoimento à comissão, em maio do ano passado, Ustra negou-se a responder a várias perguntas, mas, conforme membros do órgão, deu indícios de participação em alguns desaparecimentos de presos políticos.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Comitê Estadual em Defesa do plebiscito pela Reforma Eleioral organiza sarau e cursos do mil

Comitê Estadual em Defesa do plebiscito pela Reforma Eleitoral organiza sarau e cursos do mil

O  Comitê Estadual em Defesa do Plebiscito Constituinte pela Reforma Eleitoral organiza neste sábado e domingo (26 e 27/07), na sede da Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação de MS), o  Curso Estadual de Formação, apelidado de “Curso das Mil Pessoas”, com objetivo  de organizar  a consultar nacional  em setembro
 O credenciamento e abertura está marcado para o dia 26 de julho, sábado, às 8h. Seguindo o período de formação para até às 18h. Realizaremos uma atividade cultural, Sarau da Constituinte, às 20h. No domingo iniciaremos às 8h se estendendo até o meio-dia com o almoço. As refeições serão servidas no local do Curso.

Nesta sexta-feira, acontecerá também  o Sarau da Constituinte a partir das 20h, na sede do TGR – Teatral Grupo de Risco, na Rua José Antônio, 2170 – Jardim Brasil. É uma agenda livre, com “Palco Aberto”, portanto,  aberto à participação de todos os presentes: músicas, poesias, contos  Estão confirmadas a apresentação da peça “Guardiões” do TGR – Teatral Grupo de Risco e a participação especial dos músicos Zé Pretim Bluesmen, Ju Souc e Rodrigo Teixeira. “Guardiões” do TGR – Teatral Grupo de Risco é uma peça construída coletivamente, por meio de um trabalho de estudos e pesquisas sobre o pantanal sul-mato-grossense, o impacto e consequências da ocupação humana tanto no ecossistema, quanto nas relações sócio culturais.

Assessoria do curso
A assessoria de nosso Curso será feita por Lucas Barbosa Pelissari de São Paulo. Lucas é militante do Levante Popular da Juventude, atua como professor em escolas de educação básica e superior, mestre em Educação pela UFPR – Universidade Federal do Paraná e doutorando em Políticas Públicas pela UERJ – Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Atualmente Lucas é membro da Secretaria Operativa Nacional do Plebiscito Popular.
Inscrições
As inscrições são gratuitas e continuam abertas até o início do Curso. Para os/as que desejam fazer sua inscrição com antecedência é só preencher o formulário anexo e enviar para a Secretaria Operativa Estadual no seguinte endereço: CUT-MS – Central Única dos Trabalhadores de MS | Travessa Coronel Edgard Gomes, 49 - CEP 79002-339 - Campo Grande-MS. E/ou para o e-mail plebiscitoconstituintems@gmail.com ou mesmo preenchendo a ficha diretamente no link http://goo.gl/wOxyqO .
Local
O Curso será realizado em Campo Grande, na sede da Fetems – Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul, localizado na rua 26 de Agosto, 2296, Bairro Amambaí.
Programação
A programação detalhada do nosso Curso está definida da seguinte forma:
Sábado
8h – Credenciamento/Café;
9h – Mística de Abertura;
9h30 – Análise de Conjuntura;
11h30 – Almoço;
14h – Retorno dos trabalhos;
14h30 – Trabalho de grupos;
17h – Plenária;
18h – Jantar;
20h – Sarau da Constituinte

Domingo
8h – Café;
9h – Organização da votação;
10h30 – Plenária;
11h – Mística de encerramento;
11h30 – Almoço;


Kit Militante
É importante que todos/as tragam muita alegria, disposição e entusiasmo para o Curso. Solicitamos também que cada pessoa, principalmente que vem do interior, prepare o seu Kit Militante, contendo roupa de cama e banho, colchão, produtos de higiene pessoal, caneca, pratos e talheres, bandeira do movimento do qual participa, material de uso pessoal e para anotações, pendrive, etc... (casacos e cobertores serão bem vindos, pois o clima em Campo Grande está instável!). Estamos providenciando alojamento para os/as cursistas que vem do interior e necessitam de local para pousar. Porém é importante que nos informem da necessidade no ato da inscrição.

Inscrições
As inscrições são gratuitas e continuam abertas até o início do Curso. Para os/as que desejam fazer sua inscrição com antecedência é só preencher o formulário anexo e enviar para a Secretaria Operativa Estadual no seguinte endereço: CUT-MS – Central Única dos Trabalhadores de MS | Travessa Coronel Edgard Gomes, 49 - CEP 79002-339 - Campo Grande-MS. E/ou para o e-mail plebiscitoconstituintems@gmail.com ou mesmo preenchendo a ficha diretamente no link http://goo.gl/wOxyqO .

Agenda

•         Dias 26 e 27 de Julho, Curso das Mil, na sede da Fetems em Campo Grande;

•         Dia 26 de Julho, às 20h, Sarau da Constituinte, na sede do TGR em Campo Grande;

•         Dia 30 de Julho, Reunião do Comitê Estadual, às 17h na sede da CUT-MS em Campo Grande;

•         Dia 1º de Agosto, Tarde de Formação em Assentamento de Ponta Porã;

•         Dias 9 e 10 de Agosto, Plenária Nacional de Organização e Trabalho do Plebiscito Constituinte em São Paulo;

•         Dia 12 de Agosto, Dia Nacional de Luta pela Reforma do Sistema Político em todo o Brasil;

Assessoria de Imprensa do Comitê – Contato Walker 67 9235 6532

terça-feira, 20 de maio de 2014

PT CG realiza II Plenária do Plano de Governo nas Moreninhas

O PT realizou nesta segunda-feira (18), a III plenária de discussão do Programa de Governo do pré-candidato do PT, senador Delcídio do Amaral.  O evento lotou as dependências da Associação dos Moradores do Bairro Moreninhas. 
Participaram do debate, o vereador e pré-candidato a deputado federal Zeca do PT, o pré-candidato ao senado, o médico Ricardo Ayache, a vereadora Thais Helena, o presidente do PT de Campo Grande, Gildo de Oliveira, os deputados estaduais Cabo Almi e Laerte Tetila, os pré-candidatos Kju e Jari Castro e o coordenador do programa de governo, Marcus Garcia, além de líderes comunitários e presidente de associações de moradores das Moreninhas, um dos maiores bairros da capital.
Na oportunidade, Zeca fez um balanço das realizações do seu Governo em Mato Grosso do Sul e apontou os avanços do Governo Dilma. 
Gildo apontou a importância de ouvir a comunidade na elaboração do Plano de Governo, garantido a participação popular na formulação das políticas públicas do novo Governo petista. Lembrou que a população não aguenta mais a truculência e o autorismo dos governos do PMDB.
Além disso, podemos constatar que realmente houve a participação dos moradores, pois muitos deles se pronunciaram e deram opinião a respeito do que é necessário fazer para melhorar a qualidade de vida de todos.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Plenária para a formulação de propostas de plano de Governo acontece nesse sábado

Depois da realização da da Plenária Estadual  no 12.04.2014 no Hotel Jandaia. Dando continuidade aos trabalhos, estaremos realizando nova Plenária para a construção do Programa de Governo do PT na área ambiental.
Será no dia 09.05.2014, às 16:00 horas. Local: PLENARINHO DA CÂMARA MUNICIPAL DE CAMPO GRANDE. Até lá, estaremos recebendo as propostas para o Programa de Governo, através do e-mail: giselle_marques@hotmail.com
De acordo com a advogada Giselle Marques é muito importante o envio antecipado das propostas, a fim de otimizar os trabalhos. Contamos com sua colaboração e apoio.
Por um MS sustentável!!

Giselle Marques
Membro do Setorial Nacional do Meio Ambiente do PT

terça-feira, 1 de abril de 2014

50 Anos do Golpe Militar é marcado por manifestações na capital sul-matogrossense



As manifestações contra os 50 anos do Golpe Militar não passaram em branco em Campo Grande. Nesta terça-feira militantes ligados a UJS (União da Juventude Socialista) fizeram um Gritaço, com faixas de papéis e velas acesas em frente da residência do tenente Duarte, da reserva do Exército, localizada na Rua Jaime Ferreira de Vasconcelos. O ato por pouco não acaba em tragédia, pois o militar sacou a arma e deu dois tiros para cima, na tentativa de dispersar o grupo.
Na segunda-feira (31.11) data de aniversário da deposição do presidente eleito João Goulart (Jango), militantes ligados as entidades dos movimentos populares, sindicais, movimentos negros, sem terras e indígenas estiveram reunidos na sede Fetems homenageando lideranças perseguidas e torturadas pelo Regime Militar, entre elas o fundador do PT no MS, Ezequiel Ferreira Lima (in-memorian) representado pela filha, professora Zenite e o publicitário Felix Nunes, editor do jornal Aroeira e militante sindical no ABC Paulista em companhia do ex-presidente Lula.
A Noite o Ato Público contra o Golpe na Praça da República reuniu mais de 1.500 pessoas que protestaram contra a Ditadura e contra a deposição do ex-prefeito Alcides Bernal pela Câmara de Vereadores de Campo Grande. 
Na sexta-feira a direção estadual do PT promoveu o  ato 1964  Nunca Mais,  na Câmara de Vereadores de Campo Grande, reunindo os dirigentes  com o pesquisador Eronildo Barbosa da Silva - Doutor em Educação e Professor da UFMS, o militante dos direitos humanos, Lairson Ruy Palermo - Advogado e Coordenador do Comitê Memória, Verdade e Justiça e do ex-vice-governador, Egon Krachecke, ativista político torturado pelo regime e exonerado do serviço público por perseguição política.
A novidade no entanto foram iniciativas de cidadãos ou grupos ligados a juventude que estiveram nos jornadas de junho 2013 adesivando ruas importantes das cidades, rebatizadas com nomes de ativistas executados pelo regime militar. A Avenida Costa e Silva recebeu o adesivo o estudante Edson Luiz, morto em uma manifestação contra o Golpe no Rio de Janeiro. A avenida Ernesto Geisel (Norte Sul) ficou o nome do líder indígena assinado Marçal de Souza e a Avenida Castelo Branco recebeu o adesivo do Jornalista Wladimir Herzog, torturado e morte  por agentes do DOI-CODI numa delegacia de polícia de São Paulo.
Na plenária foi tirada como tarefa para o fortalecimento da democracia a coleta de mais de  100 mil assinaturas no Estado ao projeto de realização da constituinte independente e soberana para realização do plebiscito da reforma eleitoral. As entidade avaliam que o atual sistema de representação está profunda crise, necessitando de mudanças que acabe o financiamento privado nas campanhas eleitorais, o fim do personalismo eleitoral, com a votação em partidos e listas de candidatos e incrementação de sistemas de consultas diretas aos eleitores em matérias polêmicas e que não tramitam na Câmara por interesses corporativos: reforma eleitoral, reforma tributária, tributação das grandes fortunas, imposto progressivo e redução da carga tributária.

domingo, 16 de março de 2014

Alcides Bernal: vítima da própria soberba

Como jornalista e militante político acompanhei nos bastidores a carreira, ascenção e queda de Alcides Bernal na conquista da Prefeitura de Campo Grande. Inclusive colaborei na construção de seu projeto, trabalhando com assessor de imprensa ate três dias antes de se desicompatalizar para disputar o cargo. Depois disso cada um seguiu seu rumo.
Acredito que se tivesse considerado algumas recomendações presentes no Livro "O Príncipe", de Maquiavel, bíblia da sociologia política, não teria cometido uma sucessão de equívocos dosadas por uma personalidade complexa, com fortes traços de desconfiança e de soberba.
Maquiável recomenda que o Rei deve primeiro fortalecer seu exército, ser generoso e não menosprezar os adversários.
A última eleição para Governador já havia indicado um certo desgaste da atual administração peemedebista no Estado, quando saindo do ostracismo, o atual vereador Zeca do PT, conseguiu obter cerca de 43% dos votos válidos.
 Nesta eleição enfrentou duas máquinas poderossíma: o Estado e Prefeitura de Campo Grande. Mais uma candidatura competitiva poderia ter levado o pleito para o segundo turno  e mudar o rumo do comando do Palácio de Poderes.
O saldo eleitoral apontou a tendência do eleitorado de Campo Grande por mudança. Neste vácuo surgiu o nome de Alcides Bernal, deputado estadual mais votado da coligação encabeçada por Zeca do PT e que capitalizou eleitoralmente a incapacidade da então direção do PT e de suas lideranças de apresentar uma candidatura nova para prefeitura de Campo Grande, capaz de seduzir o eleitorado, mesmo diante de o desgaste enfrentado nacionalmente pela legenda no caso "Mensalão".
A turbulência no projeto de Bernal iniciou quando começou a disputar o comando do PP com outras lideranças mais antigas da legenda, Luiz Pedro e Paulo Mattos, por ironia, os algozes que protocolaram o pedido de instalação da CPI processante.
Os equívocos continuaram quando isolou politicamente   o ex-chefe de gabinete, César Afonso, depondo-o da presidência do PP de Campo Grande e seu ex-assessor jurídico, o advogado,  Rubens Cleyton, preteridos do quadro administrativo de confiança. Além disso,  desconsiderou a importância política de Aldo Olarte, isolado, sem gabinete, sem função e que também foi agraciado com os 170 mil votos dados pelos eleitores, inclusive do PT, PSDB e independentes.  
No jogo de xadrez poderia ter dado o check mate nomeando-o com Secretário de Governo e que poderia abrir um bloco político dentro da Câmara a partir das articulações dos ex-vereador que conhecia muito bem os seus pares, "negócios", interesses políticos e pessoais. 
Nesta trajetória de ego e alter rego a situação de Bernal ficou mais grave em razão da dificuldade de trabalhar em equipe, estruturar uma equipe competente já na fase de transição, capaz de elaborar cenários, o plano B e as prioridades em todas as áreas da administração, desmontando por dentro, a médio prazo, os vícios seculares herdados da ex-administração.
Tudo isso, aliado a capacidade de estruturar uma nova forma de governar com os setores organizados da sociedade e a comunidade, como o orçamento participativo, capaz de aumentar a pressão popular sobre o legislativo municipal e fazer a fórceps construir uma maioria.
A desconfiança nos pares e aliados, somada a demora nas decisões de governar, generosamente, inviabilizou a construção de um bloco majoritário, pois com 10 vereadores inviabilizaria a CPI processante. O bloco chegou a nove e caiu para 6, diante da demora no cumprimento dos acordos costurados pelo líder de governo na Câmara, Marcos Alex e do secretário de Governo, Pedro Chaves. A situação leva a deduzir que Bernal não acreditava na votação ou jogou todo o peso na via judicial, em que foi derrotado em última instância.
No meio da cova de leões, sem maioria, Bernal nao poderia, em momento algum vacilar no campo administrativo, com erros sucessivos como a redução  dos índices do duodécimo e questionamento de contrato de serviços essenciais sem alternativas inteligentes.
Bernal não tinha dimensões da rede de interesses que estava mexendo, fato que o obrigava a costurar o campo popular e uma maioria na Câmara, sem falar na renovação do quadro de confiança ligadas a ex-administração. Entrou em campo e trocou os jogadores, quando muitos o técnico. Ficou então cercado de adversários, dentro e fora das secretarias.
A conquista do executivo, em hipótese alguma, é a conquista do poder, mais de uma fração do poder. A vontade do Rei nem sempre é imperativa. 
Fica aos súditos fiéis a revolta dos eleitores que depositaram em Bernal a esperança de renovação. Resta saber como o sentimento do eleitorado vai ser traduzido nas eleições deste ano, pois uma ação corresponde uma reação.
Fica o Olarte o desafio de Governar tendo em mente a construção de uma raia própria, capaz de não se tornar refém das velhas raposas políticas e de pavimentar seu projeto de reeleição, em meio a outros interessados, sem perder o apoio de parte da bancada federal e as valorosas cifras dos recursos da União.
Neste cenário, a sociedade deve ficar atenta para que as ondas de deposição do ex-presidente paraguaio, Fernando Lugo, não se torne lugar comum nos legislativos sul-mato-grossense ou brasileiro. 
Aqui passamos por uma versão paraguaia que acende o sinal vermelho dos limites da democracia representantiva e o jogo de interesses não confessados pela mídia.