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terça-feira, 23 de agosto de 2016

Alex e Mário prestam apoiam a Carta de Mato de Grosso do Sul contra o PLP/257 e PEC 241/2016

Alex do PT saúde presidente da CUT-MS, Genilson Duarte

O candidato da Coligação Campo Grande é Todos (PT-PCdoB), Alex do PT, acompanhado pelo vice da chapa, Mario Fonseca,  participou de reunião para o fechamento final da carta final das entidades classe e dos movimentos sociais contra a PLP (Projeto de Lei Parlamentar) 257/2016 e a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) 241/2016. 

O documento é resultado de Audiência Pública convocada pelo deputado estadual João Grandão (PT) e apresentada na segunda-feira (23.08) ao presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. O documento agora será apreciado pelos parlamentares, na próxima semana e, se aprovado,  encaminhado ao Congresso Nacional e ao presidente Michel Temer.

Alex do PT salientou que a sociedade não pode aceitar, em hipótese alguma, a redução de direitos historicamente conquistados pelos trabalhadores e servidores públicos brasileiros previstos no PLP/257. Lembrou que o servidor não pode ser apontado como culpado pelo desequilíbrio das contas públicas, alertando que as medidas contidas na PEC 241/16 é uma agressão a Constituição Federal, pois congela investimentos em áreas vitais para população como saúde, habitação, educação e assistência social. Mesmo com o aumento da receita, os estados, município e a União ficam impedidos de repassarem percentuais maiores para estas áreas.
Para o candidato existe outros mecanismos para revitalizar as contas públicas, com recursos oriundos das reservas cambiais, taxação dos rendimentos dos bancos, combate à sonegação fiscal e a revisão da renúncia fiscal para grandes grupos econômicos.

Assessoria de imprensa do candidato.     

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Guarani-Kaiowa acampados temem mais ataques violentos no feriado de carnaval

Sob o silêncio de parte da mídia nacional e regional, a omissão dos poderes constituídos, responsáveis pela mediação dos conflitos, as famílias Guarini-Kaiowa aguardam pela demarcação de suas terras. Desde o início do ano, tem crescido a ofensiva aos acampamentos localizados na região de Caarapó, Juti e Amambai.  As famílias de Te´’ýijusu em Caarapó são bombardeadas por emissão de inseticidas aplicados nas monoculturas de soja e cana. Em Kurusu Ambá, A em Amambai, a repressão acontece por meio de taques à tiros e queima de  barracos de lona.
dos poderes constituídos, mais uma vez acontece uma sucessão de ataques violentos dos ruralistas aos acampamentos de retomada dos Kaiowa e dos Guarani no Mato Grosso do Sul, local em que

Por e-mail a correspondente popular, Joana Ortiz escreve  pede o apoio e a ampla divulgação dos fatos, devido o aumento da tensão provocada pela ação dos ruralistas. Segunda ela, os ruralistas e suas capangas insistem em destruir os vestígios do último ataque no dia 31 de janeiro deste ano, quando incendiaram os barracos, destruíram os pequenos roçados e utensílios domésticos.  No dia 02 de fevereiro deste ano, os servidores da Coordenação Regional da FUNAI em Ponta Porã e Coordenação Técnica Local de Amambaí estiveram no acampamento e verificaram que os ruralistas utilizaram máquinas agrícolas para revirar o solo, no intuito de atrapalhar algum possível trabalho de investigação pericial.

Joana ortiz explica no email que os servidores estivem sem escolta policial, mesmo tendo requisitado, visto que os ruralistas e os seus seguranças particulares estavam armados. A avaliação é de que os ruralistas empregam estes meios para expulsar os índios do interior da fazenda Barra Bonita e deixá-los expostos as margens da estrada fronteiriça. No dia 03 de fevereiro, os relatos dos servidores da FUNAI presenciaram  a ação de queima e destruição dos vestígios feitas pelos ruralistas, de forma impune. Até na manhã seguinte não havia chegado nenhuma força de segurança pública para registrar a ocorrência.

Em conversa com as lideranças do Aty Guasu, na região de Dourados, Juti e Amambai, o temor das pessoas é que durante o período do carnaval, no feriado, os ataques se intensifiquem. Grandes partes dos servidores que atuam nos serviços de justiça e segurança pública não estão em plantão. Desta forma, os Guarani-Kaiowa temem neste período ocorra mais ações violentas, como em outras situações. 

Joana Ortiz afirma que em conversa com uma liderança  da retomada de Lechucha, município de Juti,  foi relatado que o arrendatário da fazenda procurou seu irmão para comunicar que ele estaria retirando os funcionários da fazenda. pois os proprietários da região estiveram reunidos e planejando ação de intimidação contra as famílias. A ação seria uma retaliação à extinção da CPI do CIMI na Assembléia Legislativa de Mato Grosso do Sul.  

Ao entrar em contato com outra liderança de Kurusu Amba, a correspondente foi informada que o delegado da PF de Ponta Porã  enviaria agentes da Polícia Federal para verificar a situação.  Já uma liderança de Kurusu Amba disse que responsabilizaria a PF caso haja mais mortes e violência. O Dep. Pedro Kemp (PT-MS)  integrante da CPI CIMI disse ter comunicadoo delegado da PF e que se reuniria com os procuradores federais e com o Superintendente da PF-MS.

A pressão desumana sob os índios acampados está sendo veiculada pelas assessorias de imprensa do CIMI e de outros meios de comunicação, mas o apelo das lideranças do Aty Guasu é mas a intenção de Joana é de sensibilizar os parceiros, pois  a possibilidade de novos e intensos ataques é grande com a chegada de um feriado prolongado.  

Os indígenas pedem a presença da PF e da Força Nacional de Segurança porque não confiam na atuação das forças de segurança regionais. Deste modo, peço desculpas pelos erros gramaticais e ortográficos, mas circulem as notícias para que possamos pressionar o Ministério da Justiça para a agir.  

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Luta guerreiro contra opressão

Luta guerreiro contra opressão
Contra a tirania dos desumanos
Denuncie a ganância hipócrita por lucro
Empunhe seu chocalho.
Na simplicidade, na força da reza,
na tinta vermelha do urucum,
reaja a violência silenciosa que te extermina
Luta guerreiro contra opressão.
Grita por nosso planeta, saturado de lixo,
Dominado por ódio, ganância e mesquinharia
Ore por nós, perdidos, envaidecidos no racionalismo doentio,
Não aceite a opressão territorial do boi e da soja.
Pegue sua terra de volta.
Deixe a florestar renascer
A mata ciliar respirar
O peixe repovoar o rio
Os animais correrem pelos campos.
Semeie alimentos sem veneno,
Rebusque a cura das raízes
Rompa a cerca do isolamento
Não aceite a fé que te amansa
Mas aquela desperta a inquietude,
o inconformismo contra injustiça.
Luta guerreiro contra a opressão.
Grite para que os homens de bem, cristão verdadeiro,
para que abrace sua causa,
veja no rosto infantil do Guarani-Caiuá a
face verdadeira do menino Jesus, oprimido
e clama por libertação. 



terça-feira, 16 de junho de 2015

Em Documento 'Louvado Seja' papa condena degradação ambiental

Encíclica de Francisco vai ter ambiente como tema

Ao falar neste domingo (14) na praça São Pedro, no Vaticano, o papa Francisco pediu que se renove a atenção sobre a degradação e a recuperação ambiental em cada país e anunciou que sua encíclica terá como tema o ambiente.
No anúncio, feito após o tradicional Ângelus da missa dominical, o papa disse que a encíclica será lançada na próxima quinta-feira (18).
Segundo Francisco, o documento é dirigido a todos, e não apenas aos cristão.
"Essa encíclica é dirigida a todos aqueles que podem receber sua mensagem e crescer em responsabilidade para com a casa comum que Deus nos confiou."
Esta será a primeira encíclica feita totalmente pelo papa Francisco. A anterior ele apenas teve de completar, pois grande parte havia sido escrita por seu antecessor, Bento 16.
O título da encíclica, a primeira dedicada especificamente ao tema do meio ambiente, será "Laudato Si" (Louvado Seja).
A revelação casou expectativas. O jornal britânico "The Guardian" informou que esta é a "carta papal mais aguardade em décadas".
A representante das Nações Unidas nas negociação sobre o clima, Christiana Figueres, afirmou que a encíclica poderá ter um impacto muito grande.
"Ela vai falar sobre o imperativo moral de, no tempo certo, fazer frente às alterações climáticas para proteger os mais vulneráveis", afirmou.
ONU
No sábado (13), o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, esteve no Vaticano para um encontro com o papa Francisco.
A tema do encontro entre as duas instituições globais, que têm um passado discordante --mas que parecem ter encontrado alguns interesses mútuos--, seria a pobreza em todo o mundo.
Mas, em uma conversa informal com o dirigente da ONU e seus conselheiros, o papa mudou o foco da discussão para "ambiente" e destacou que a degradação ambiental é mais profunda nos países mais pobres.
O lançamento da encíclica vai acontecer em um ano com várias reuniões internacionais sobre o tema.
A mais importante será a Conferência sobre Mudança Climática das Nações Unidas, que está programada para ocorrer em dezembro, em Paris, França.
Folha de São Paulo - 15/06

segunda-feira, 16 de março de 2015

Protestos abrem janela para Dilma aprofundar compromissos com sua base social


É salutar para a democracia os protestos de 15 de Março. Agora não dá para agradar gregos e troianos. Em que pese meia dúzia de bandeiras propositivas ficou marcado ódio contra o PT, Lula e Dilma e protesto daqueles que ainda não aceitaram a derrota nas urnas. 
Alimentados pelo cenário verde amarelo da Globo, sonegadora oficial de impostos e há três meses sem anúncio publicitário do Governo, de forma tendenciosa ela assume o comando das mentes de milhões de brasileiros, com o respaldo das rede comunicação concessionada do Estado, cuja as outorgas deviam ser revistas e se arrastam aos de Chumbo. Afinal a mobilização de domingo foi amplamente apoiada pela mídia, por horas e horas de programação, enquanto as manifestações de 13 de março solapas em flashes rápidos e números abaixo do real.
Nos protestos vi muita gente bonita, a maioria branca, cabelos sedosos e com luzes, celulares de última geração, motos acima de 250 cilindradas, veículos camionete e caminhões, boa parte financiados pelo Banco Brasil a juros subsidiados.
A cara do povo sofrido, negros, tranvestis, mulheres com a cara surrada pela proeocupação, rasgadas pelas rugas de ano de exploração e má remuneração, estavam ausente. Elas sim poderiam bater panela, mas boa parte agora tem emprego e conseguem manter sua dignidade, mais ainda ressentem a da mão do Estado no bom atendimento e educação, com igualdade de oportunidade.
A nova clásse média dá o grito, e com toda razão. Chegou o momento histórico de se discutir o financiamento do Estado e aí está missão Congresso, onde a mesma elite é maioria, e duvido que queiram mudar mesmo as regras da democracia ou pesada carga tributária, pois há 15 anos, esta matéria tramita na Câmara dos Deputados e no Senado.
Mais uma vez, o protesto tem o lado bom,a oportunidade, da Presidenta Dilma jogar a responsabilidade de colocar o bode na sala do Congresso,vistos que as principais reformas necessárias para mudar a face justa do País e combater a corrupção, estão engavetadas após as jornadas de julho.
Além disso, cabe a equipe de Governo outro desafio, construir novos parâmetros para a construção da Governabilidade, calcada em uma agenda política, pois a feita com o PMDB já esgotou, pois a legenda flerta de dia com o Governo e por baixo articula o golpe branco, na tentativa de colocar Michel Temer no comando da Nação, em conluio com a Maçonaria.
Para sobreviver, além das ditas reformas, o Governo petista tem que restabelecer uma nova base de apoio e alianças, pois até o momento as medidas adotadas sacrificam os trabalhadores e poupam os especuladores e os grandes grupos econômicos, por meio de renúncias fiscais bilionárias e empréstimos a juros baixos e a longuíssimo prazo.
Agora chegou de fazer a lição de casa, restabelecer os compromissos com sem-teto, sem-terra, demarcar as terras indígenas, investir maciçamente na educação, por fim ao fator moderador, reduzir os juros, aumentar o valor do salário mínimo, inverter a lógica perversa de cobrança de imposto, alem de usar os aparatos de fiscalização do  Estado para prender quem sonega e desvia dinheiro do Estado, sem o jeitinho brasileiro.

O compromisso do Governo Dilma, a partir de agora, tem que ser com quem a elegeu. Os outros, são outros e só.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

PITACOS DO JARA NOS BASTIDORES DA POLÍTICA

Presidente da Câmara fica de joelhos a Olarte

Depois do pomposo reajuste de  mais de 60% nos  próprios salários, aumentar o IPTU em 12% e a passagem de ônibus em R$ 3,00,  o presidente da Câmara e boa parte dos vereadores da situação (puxa-sacos), tentam vergonhosamente descaracterizar vídeo gravado em offline em que o prefeito afirma que deu um duro golpe na Câmara dos Vereadores e nos professores em greve. Como sempre, a melhor maneira de calar o legislativo é liberar as pomposas verbas para o poder. Enquanto isso, o contribuinte paga a conta. 

Eleição da ACP vai para o tapetão (Com Correção)
Depois do velho golpe de regras eleitorais viciadas, em que a diretoria controla tudo, até o resultado, a chapa 3, do Conselho Fiscal,  que é independente da Chapa 3, desferiu um duro golpe no processo nas eleições da Fetems e  anulou o processo eleitoral em curso, em plena greve. No vale tudo, três chapas disputam a entidade, com uma receita superior a R$ 260 mil mensais de arrecadação, a Chapa 2 ligada ao PCdoB, PPS e apadrinhada pelo Alcaide, Aldo Olarte, a Chapa 1 apoiada pelo atual presidente, Geraldo, fusão de petistas e tucanos e peemedebistas  e a Chapa 3, ligada ao campo de esquerda do PT. O resultado é imprevisível, pois na mobilização muitos filiados puderam sentir  quem é de luta e quem se curva perante ao imperador.


PT de Campo Grande promove mudanças
Depois do resultado difícil de engolir do candidato a Governador, Delcidio do Amaral, o PT de Campo Grande, já discute mudanças e substituição no comando político do partido. Entre os motivos alianças no campo aliado sem densidade eleitoral, a custo de ouro e o gelo na militância petista no 1º turno, sem qualquer parâmetro ético. As portas fechadas, o lava roupa vai acontecer nesta quarta-feira.

Eleição da Cassems já suscita interessados
A eleição para nova direção da Cassems já suscita muitos interessados, pois a empresa de autogestão movimenta uns bons milhões mensais. Três grupos estão se movimento para colocar a mão no cofre e tira dividendos do alcance politico da sua gestão, vide o bom desempenho do atual presidente, RicardoAyache, na vaga do senado. De ilustre desconhecido, o médico já começa alçar vôos maiores, em foco a Prefeitura de Campo Grande

Depois tem mais, novidades, aguardem.





sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Fundador da Rede Sustentabilidade declara voto em Dilma

Fundador da Rede Sustentabilidade declara voto em Dilma


Fundador da Rede Sustentabilidade declara voto em Dilma<b> </b>O auditor fiscal da Receita Charles Alcântara participa da Rede Sustentabilidade desde as discussões iniciais que resultaram na sua criação. Também foi um dos seus coordenadores nacionais e trabalhou firme na coleta de assinaturas para viabilizar o registro eleitoral, o que acabou não acontecendo. Esta semana, porém, decidiu retirar seu apoio à candidatura de Marina Silva pelo PSB. 


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Segundo ele, a adesão da presidenciável ao neoliberalismo não coaduna com os princípios da nova política que o levaram a apoiá-la.

Em entrevista à Carta Maior, ele declara que irá votar na presidenta Dilma Rousseff, candidata pelo PT à reeleição. “O governo da Dilma também cede ao receituário neoliberal. A diferença é que a Dilma não cede a isso porque acredita na receita, mas porque não há força suficiente na sociedade para enfrentar, para subverter este sistema. Isso é diferente de aderir a ele com a convicção de que é o melhor caminho, como a Marina vem dando demonstrações explícitas e efetivas que o fez. (...) Isso significa que Marina vai apertar ainda mais, com mais arrojo salarial e juros mais alto”, afirma.

Confira a íntegra da entrevista:
Carta Maior - Apesar de ser um dos fundadores da Rede Sustentabilidade e ter assumido a coordenação nacional do pretenso partido, você retirou seu apoio à candidatura de Marina. Por quê?
Charles Alcântara - Até por dever de ofício, já que sou auditor da Receita, é muito caro para mim saber como são alocados os recursos provenientes da sociedade através dos impostos. Então, o fundamento da minha crítica à Marina é justamente o fato dela ter aderido a essa lógica neoliberal de perseguir um conceito de “estabilidade” a um custo social muito alto. A Marina converteu-se a esse pensamento e isso está muito evidente. Eu não sei se essa conversação vem de mais tempo e eu não tinha percebido, mas muito recentemente ela fez declarações muito definitivas sobre a linha econômica que vai seguir, e isso para mim foi fundamental.

Existe um consenso na sociedade de que diminuir gasto público é um crime. E eu não concordo com essa lógica. Não estou falando de gastos com educação e saúde, lógico. Mas concordaria em reduzir o gasto com a dívida pública, por exemplo, que é sagrado, intocado. É o maior gasto do país e o maior responsável pela desigualdade social. Mas, em nome do famigerado superávit primário, quase um deus para os neoliberais, se tira recurso das áreas primárias para saldar a dívida pública. E quando a Marina se propõe a fazer isso e ainda critica a Dilma por desarrochar a política econômica, significa que ela irá apertar ainda mais, com mais arrocho salarial, jutos mais altos e etc.

Então, ela precisa pelo menos dizer para a sociedade, para quem ela está pedindo apoio e voto, que há um custo alto desta medida. E não fazer como o Aécio, que diz que não se furtaria a tomar medidas amargas, mas, quando perguntado, não responde quais medidas são essas. Quem está pedindo o voto das pessoas precisa ser honesto com elas. Precisa dizer que medidas amargas são estas. E, principalmente, amargas para quem. A Marina não fala em medidas amargas, mas o discurso é o mesmo do Aécio: apertar no tripé, institucionalizar a autonomia do Banco Central. Isso, definitivamente, me impede de continuar com ela.

CM – Na Rede sustentabilidade, vocês chegaram discutir que modelo econômico apoiar?
CA - Sou fundador da Rede, participei inclusive das discussões que levaram a sua criação, compus a primeira coordenação nacional e fui porta-voz da Rede no Pará. Mas as discussões a este respeito foram muito embrionárias, porque estávamos muito focados em conseguir as assinaturas para ter o registro da rede. Não chegamos ao ponto de discutir programa da Rede, porque sequer tínhamos um partido. O que discutimos foram princípios estatutários da Rede, princípios para a antecipação de uma eventual reforma política. Havia indícios de discussão programática, e eu já me posicionava internamente, desde aquela época, contra qualquer inclinação da Rede de sustentar as formulas neoliberais. Eu tensionei internamente, inclusive com documentos, já propondo desde aquela época um seminário da Rede sobre programa econômico. Tudo bem levarem o Eduardo Gianette e o André Lara Rezende [economistas identificados com o receituário neoliberal tucano], mas eu queria que levassem também economistas de outras escolas. Porque não dá para discutir apenas com o “pensamento único”. Acontece que, quando houve o indeferimento da Rede em outubro e, logo em seguida, a decisão de aliança com o PSB, eu divergi e me afastei da coordenação da Rede. Então, eu não tenho elementos para dizer como se deu o debate interno entre Rede e PSB.

CM - Por que você divergiu da decisão da Rede de se aliar com o PSB?
CA - Eu achei que a Marina deveria manter-se sem partido, que isso tinha mais coerência com a nova política. Tudo bem, ela não seria candidata, mas não se faz política só seno candidato. Você faz política emitindo sua opinião. A Marina poderia exercer um papel político importante no cenário nacional, ela é uma liderança nacional, mesmo não disputando a eleição e até mesmo denunciando a forma como a Rede foi indeferida por um excesso de preciosismo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na minha avaliação, o PSB não representa a nova política. No Pará, por exemplo, é um partido familiar, que passa de pai para filho. Eu não tinha a menor condição de acompanhá-la no PSB. Até porque eu não iria me reconhecer naquele partido. Então, eu divergi e me afastei. Mas sem fazer alarde, sem fazer um debate público. Mas, apesar disso, eu estava inclinado a apoiá-la. Acontece que tem coisas da velha política de que não abro mão, como a convicção. Porque pra defender uma candidatura, é preciso acreditar nela. É fundamental que não seja por conveniência, por adesismo, por cálculo político.

CM - Um possível governo Marina pode ser melhor para a maioria do povo brasileiro do que um segundo mandato de Dilma?
CA - Eu tenho profundas críticas ao governo Dilma. Mas eu não posso negar que é um governo extremamente includente, que melhorou a vida de milhões de brasileiros que vivam esquecidos pelos governos anteriores. Não que isso seja suficiente para mudar a desigualdade que marca nossa sociedade. O governo da Dilma também cede ao receituário neoliberal. A diferença é que a Dilma não cede a isso porque acredita na receita, mas porque não há força suficiente na sociedade para enfrentar, para subverter este sistema. Isso é diferente de aderir a ele com a convicção de que é o melhor caminho, como a Marina vem dando demonstrações explícitas e efetivas que o fez. Ela critica a Dilma justamente por não ter aderido ao neoliberalismo como ela acha que deveria. Ora bolas, isso quer dizer que Marina vai apertar ainda mais, apesar de não ser honesta o suficiente para admitir isso para a sociedade.

CM - Sua crítica à Marina é fundamentalmente econômica?
CA – Sim. Outra coisa que me tocou profundamente no discurso da Marina foi essa história de que ela vai reunir todas as pessoas de bem na mesma mesa pra discutir o Brasil. Porque, pela primeira vez, a Marina disputa uma eleição com condições de ganhá-la. É isso é diferente da eleição passada, quando ela estava em terceiro lugar. Ela está mais exposta, sujeita a mais questionamentos, sendo submetida a uma bateria de questões que não foram perguntadas antes. E não dá para unir todas as pessoas de bem no mesmo projeto. Não me parece uma coisa de quem está, de fato, sintonizada com nossa realidade social e política. Não há como governar sequer um condomínio sem contrariar interesses. Imagina um país complexo, com uma série de conflitos e tensões. Não tem jeito. Os interesses dos banqueiros não são convergentes com os interesses de quem está atravessando dificuldades, de quem precisa de saúde pública, de quem carece de mais qualidade na educação. Não tem como. É uma coisa ecumênica demais para mim. E não é a religião que vai governar o país. Se eleita, ela vai ter que governar com o Sarney [ex-presidente do PMDB], com o Renan [Calheiros, presidente do Senado, também do PMDB]. Ou ela acha que não vai? Ela já está com Heráclito e Bornhausen, dois legítimos representantes da velha política. E vai ter que ceder cada vez mais. Aliás, já cedeu para o Malafaia [o pastor que preside a Assembleia de Deus], e nem governa ainda.

CM - Sua posição teve impacto entre seus companheiros da Rede? Já recebeu manifestações favoráveis ou contrárias?
CA - Eu até me surpreendi. Não sou uma figura pública, embora seja conhecido da militância pelos espaços públicos que ocupei no governo Ana Júlia [ele foi secretário da Casa Civil da governadora do PT no Pará] e como sindicalista da área do Fisco [foi presidente do Sindfisco Pará e hoje é diretor da Fenafisco]. Eu publiquei um texto no meu Facebook para justificar minha posição, e fiquei muito surpreso com a repercussão disso entre muitos companheiros e jornalistas. Recebi as manifestações de muitos militantes intermediários da Rede, digamos assim.

Alguns discordaram de mim, mas uma parte concordou comigo e já está desembarcado. Eu não tive a pretensão de convencer ninguém. Não convoquei ninguém pra discutir posição coletiva. Foi uma posição solitária em um espaço meu. Quem quiser concordar, concorde. Quem quiser discordar, discorde. Quem quiser me atacar, me ataque. Tudo isso faz parte. Mas várias pessoas estão concordando comigo.

CM - A Marina vinha afirmando que permaneceria no PSB somente até a Rede conseguir o registro eleitoral. Essa semana, porém, ela voltou atrás e disse, na sabatina do G1 que, se eleita, vai ficar no PSB até o final do mandato. Como você vê o futuro da Rede sem sua principal líder?
CA - Eu não sabia disso, mas prefiro não opinar sobre o futuro da Rede, porque ainda está tudo muito confuso. Agora, o mais importante é nos concentrarmos nas eleições, é percebermos que, a grosso modo, tem dois projetos disputando o país: um genuinamente neoliberal, que é o de Marina e o de Aécio, e um outro que conflita com o modelo neoliberal, que é do da Dilma. Um projeto que também está amarrado com o neoliberalismo, porque é isso o que quer nossa sociedade, mas que tenciona com ele. Ao mesmo tempo que adere, também nega. Então, tem uma relação conflituosa com ele.

CM - Você vai votar na Dilma?
CA – Então, o próximo passo é decidir... Aliás, eu vou sim. E te digo isso em primeira mão. Eu saí do PT em 2010, mas uma das coisas mais lamentáveis que considero na nossa sociedade é este sentimento antipetista. Uma coisa tão absurda, doentia. Eu não sou antipetista, mas ex-petista. Não tenho nenhuma relação de mágoa ou ressentimento com o partido. Pelo contrário. Minhas divergências com o PT se deram no campo político. Eu deixei no partido muitos amigos, pessoas admiráveis que eu respeito e que eu sei que querem construir um país melhor, um mundo melhor. Então, eu não tenho nenhum constrangimento em declarar meu voto à Dilma. Ao contrário, eu ficaria constrangido de continuar com Marina nessas condições. Eu ficaria envergonhado de continuar com ela sem acreditar, embora respeite sua pessoa.