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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Margarida Marques - Guerreira eterna da liberdade de expressão e dos direitos humanos


A jornalista Margarida Marques sempre foi exemplo de cidadã  para aqueles que vêem na produção jornalística o interesse social e na cultura o poder de transformação de mentes e corações.
 Meus primeiros contatos com a Dama da Liberdade de Expressão  começou no velho bar do Partidão (PCB) na rua 14 de Julho e depois na corpo a corpo, panfletando o Jabaculê, militando e articulando pela criação do curso de Jornalismo, juntamente com Edson Silva e outros valorosos companheiros.
Desde de então nossa história se entrelaçou. Juntos construímos a Oposição Sindical Cutista no Sindicato dos Bancários, do qual foi assessora de imprensa e daí para a primeira campanha de Zeca deputado estadual e depois prefeito, quando demos um susto nas elites de Campo Grande e por pouco não chegamos ao segundo turno com o então prefeito Juvêncio César da Fonseca.
Depois disso, batalhamos juntos para projetar o PT e Zeca para o Governo do Estado. Foi rápido, e em seguida  já disputamos a eleição para capital de Campo Grande em que perdemos para o atual Governador por 411 votos. Depois fomos consolado nas urnas com a eleição para Governador do Estado.
Nós jornalistas ficamos nos bastidores, preparamos o campo para os grande embates eleitorais. Por trás de todos estes processos eleitorais a figura de Margarida Marques era marcante, colaborando com a sua visão de mundo, organização, valores éticos e culturais. Desde de a montagem de arquivos a decisões de relevantes sobre a vida das pessoais e dos fatos que impactavam a sociedade sul-mato-grossense.  
Sempre nos fazia enxerga mais longe, a longo prazo, daí muitas vezes a incompreensão dos próprios da esquerda petista.  Foi assim, quando assumimos o Governo e juntos acreditávamos na possibilidade de estabelecer uma  nova relação da máquina estatal com os veículos de comunicação, acostumados a subvenção com o dinheiro público para ficar em silêncio ou amenizar os desmandos daqueles que estão comando do Governo.
Foi assim, quando tivemos a oportunidade no primeiro Governo do PT no MS de assumir o comando da TV Educativa, hoje T V Brasil Pantanal, com o sonho de construir um jornalismo plural, inteligente, crítico e independente, capaz de dar aos cidadãos o tão nobre direito de formar sua livre o opinião, sem tutela da publicidade estatal ou da lógica desumana da propaganda.
O sonho durou pouco e na incompreensão  daqueles que vêem na informação uma forma de manipulação ou sob fogo cruzado dos interesses políticos pessoais fomos, coletivamente, exonerados sob o pretexto de fazermos oposição ao próprio Governo que construímos, enquanto, na verdade, defendíamos tão somente o direito ao debate democrático sobre os rumos e correções que o Governo do PT  Pantaneiro devia ter.  Fazer gestar  a construção de uma nova classe dirigente política do Estado, construída sob novos valores e não apenas do jogo toma lá dá cá.     
Mesmo assim, ficamos na trincheira do PT, ainda que amargurados, pois sabíamos que a vitória  de Lula era inevitável. Ficamos firme na luta. Não desanimamos.   
Fundamos e tocamos às duras penas o site www.msdefato.com.br, mais um sonho que ficou pelo caminho por falta de apoio, inexperiência administrativa  e não por pactuarmos com a visão utilitarista e promocional dos companheiros da própria esquerda.   Sonho que pretendo retomar.
Margarida Marques partiu, mas deixou com a gente o sonho de respeito e luta pela liberdade de expressão, pelo jornalismo engajado, comprometido com mais pobres, os índios, os negros, os GLBTs, classista, em defesa do meio ambiente e  alicerçado nos direitos humanos.
Sua ternura de Marxista, sua capacidade de decisão Leninista não fará muita falta. 
Mas acima dos partidos, tocaremos em frente as suas causas, que também são nossas.
Estarei na sua missa de 7º dia, nesta quinta-feira, às 19h00, na Igreja Perpétuo Socorro, pois mesmo materialista, sua vida sempre serve de exemplo para os verdadeiros cristãos.  

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