A jornalista Margarida Marques sempre foi exemplo de cidadã para aqueles que vêem na produção jornalística
o interesse social e na cultura o poder de transformação de mentes e corações.
Meus primeiros contatos
com a Dama da Liberdade de Expressão começou
no velho bar do Partidão (PCB) na rua 14 de Julho e depois na corpo a corpo,
panfletando o Jabaculê, militando e articulando pela criação do curso de
Jornalismo, juntamente com Edson Silva e outros valorosos companheiros.
Desde de então nossa história se entrelaçou. Juntos construímos
a Oposição Sindical Cutista no Sindicato dos Bancários, do qual foi assessora
de imprensa e daí para a primeira campanha de Zeca deputado estadual e depois
prefeito, quando demos um susto nas elites de Campo Grande e por pouco não chegamos
ao segundo turno com o então prefeito Juvêncio César da Fonseca.
Depois disso, batalhamos juntos para projetar o PT e Zeca
para o Governo do Estado. Foi rápido, e em seguida já disputamos a eleição para capital de Campo
Grande em que perdemos para o atual Governador por 411 votos. Depois fomos consolado
nas urnas com a eleição para Governador do Estado.
Nós jornalistas ficamos nos bastidores, preparamos o campo
para os grande embates eleitorais. Por trás de todos estes processos eleitorais
a figura de Margarida Marques era marcante, colaborando com a sua visão de
mundo, organização, valores éticos e culturais. Desde de a montagem de arquivos
a decisões de relevantes sobre a vida das pessoais e dos fatos que impactavam a
sociedade sul-mato-grossense.
Sempre nos fazia enxerga mais longe, a longo prazo, daí
muitas vezes a incompreensão dos próprios da esquerda petista. Foi assim, quando assumimos o Governo e juntos
acreditávamos na possibilidade de estabelecer uma nova relação da máquina estatal com os
veículos de comunicação, acostumados a subvenção com o dinheiro público para
ficar em silêncio ou amenizar os desmandos daqueles que estão comando do
Governo.
Foi assim, quando tivemos a oportunidade no primeiro Governo
do PT no MS de assumir o comando da TV Educativa, hoje T V Brasil Pantanal, com
o sonho de construir um jornalismo plural, inteligente, crítico e independente,
capaz de dar aos cidadãos o tão nobre direito de formar sua livre o opinião,
sem tutela da publicidade estatal ou da lógica desumana da propaganda.
O sonho durou pouco e na incompreensão daqueles que vêem na informação uma forma de
manipulação ou sob fogo cruzado dos interesses políticos pessoais fomos,
coletivamente, exonerados sob o pretexto de fazermos oposição ao próprio
Governo que construímos, enquanto, na verdade, defendíamos tão somente o
direito ao debate democrático sobre os rumos e correções que o Governo do PT Pantaneiro devia ter. Fazer gestar a construção de uma nova classe dirigente política
do Estado, construída sob novos valores e não apenas do jogo toma lá dá cá.
Mesmo assim, ficamos na trincheira do PT, ainda que
amargurados, pois sabíamos que a vitória
de Lula era inevitável. Ficamos firme na luta. Não desanimamos.
Fundamos e tocamos às duras penas o site
www.msdefato.com.br, mais um sonho que ficou pelo caminho por falta de apoio,
inexperiência administrativa e não por
pactuarmos com a visão utilitarista e promocional dos companheiros da própria
esquerda. Sonho que pretendo retomar.
Margarida Marques partiu, mas deixou com a gente o sonho de
respeito e luta pela liberdade de expressão, pelo jornalismo engajado,
comprometido com mais pobres, os índios, os negros, os GLBTs, classista, em
defesa do meio ambiente e alicerçado nos
direitos humanos.
Sua ternura de Marxista, sua capacidade de decisão Leninista
não fará muita falta.
Mas acima dos partidos, tocaremos em frente as suas causas,
que também são nossas.
Estarei na sua missa de 7º dia, nesta quinta-feira, às 19h00, na Igreja Perpétuo Socorro, pois mesmo
materialista, sua vida sempre serve de exemplo para os verdadeiros cristãos.
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