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quinta-feira, 20 de setembro de 2012

A política de saúde de Campo Grande tem que priorizar o fortalecimento da rede pública


Acompanhei o debate entre os candidatos a prefeitos e vice-prefeitos de Campo Grande com os Conselheiros Municipais de Saúde, ontem, na sede da Fetems.  As propostas, inclusive do PT, não deixaram claro o conceito de saúde que querem implementar na cidade, focando medidas meramente no campo curativo, quando muito a expansão das equipes de médicos da família.
Um pontos polêmicos foi o investimento público na Santa Casa, defendido inclusive pelo nosso candidato a vice-prefeito, Cabo Almir . Em Campo Grande o que existe uma inversão de prioridades do SUS (Sistema Único de Saúde) que prega a prioridade de investimento dos recursos privados e não hospitais públicos, sabendo-se que a parceria com empresa de saúde deve ser apenas complementar.
 Assim, a saída é investir cada vez no fortalecimento dos Hospitais Regional e da UFMS e criar o Pronto Socorro Municipal e ampliar a rede atendimento de casos de baixa  e média complexidade e depender cada vez  menos para Santa Casa que deve encapada pelo município ou operar com empresa privada, sem depender de recursos públicos. Um exemplo de distorção de prioridade são os investimentos nos Hospital do Trauma, até hoje caminhando a passos de tartaruga e sem  recursos complementares do município e do Estado para a sua conclusão. Esta unidade de serviços poderia ser muito bem montada em dois hospitais públicos, sem necessidade de obras, ao invés de se fazer parceria com o sumidouro de dinheiro público que é a Santa Casa.
O Hospital do Trauma é  exemplo cabal de descaso com a saúde pública, tendo em vista que a especialidade é o calcanhar de Aquiles do sistema de saúde do município, sobrecarregando UTIs.  A obra deveria estar concluída em junho deste ano e o máximo que recebeu foi uma caiação para disfarçar a incompetência de gestão.
Além de salário, há necessidade premente da realização de concurso público e a aprovação do PCC dos funcionários da saúde, largados a própria sorte, com o médico ganhando  cerca de R$ 2.200,00 para atender uma demanda crescente de paciente.
Feita a  lição de casa o desafio é preciso fazer acontecer que as unidades de saúde funcionem e as equipes de médicos e paramédicos das unidades da  saúde de família realmente funcione à contento, visitando as casas e a partir de programas de reeducação alimentar e preventiva eficiente, de alta grau de resolução, o que não existe, vide as constantes surtos de Dengue e Leishmaniose que todo assola nossa cidade.  
Ao invés de gastar volume e volumes de recursos com consultorias o município deveria celebrar convênio com Cuba e própria a UFMS, treinando os profissionais para aprender como fazer a saúde pública preventiva acontecer na prática, desmontando os interesses privados e de laboratórios que ganham dinheiro com a indústria da doença e operam no desmantelamento da rede pública de saúde.
É preciso coragem política. 

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